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Adoção do PIX pelas empresas não é só uma questão de custo

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Gastão Mattos, sócio-fundador da GMattos

O PIX no Brasil rapidamente cativou grande número de adeptos, e não apenas entre as pessoas físicas. Se estas somam 100 milhões de consumidores habilitados, a quantidade de empresas (PJs) cadastradas com ao menos uma chave de uso já se aproxima de 7 milhões no país, segundo dados recentes do Banco Central.

Apesar de o montante de cadastros não revelar a ativação do PIX, trata-se de um bom indicador da popularização dessa forma de pagamento entre as pessoas jurídicas. No primeiro semestre de 2021, somados todos os tipos de pagamento via PIX de pessoas físicas para pessoas jurídicas (P2B) no Brasil, falamos de um universo transacional que movimentou um volume da ordem de R$ 143 bilhões.

Uma das razões desse sucesso está no custo da modalidade, embora ele não deva ser o único balizador de escolha entre os meios disponíveis.

Contudo, ao considerarmos isoladamente essa variável no processo decisório, a adoção do PIX se mostra vantajosa para as empresas, mesmo observando que o custo para receberem valores relativos a transações comerciais por esse meio varie bastante.

Considerando o segmento PME, esse custo em grandes bancos fica entre 0,99% e 1,4%, com valor máximo da tarifa entre R$ 9 e R$ 10 e mínimo de R$ 1, podendo ser menor na negociação caso a caso. Como usualmente uma PME não tem grande poder de barganha, vamos tomar como 1% o preço modal no segmento, com limitador de R$ 10 de custo máximo e de R$ 1 como o mínimo da transação.

Com essas referências, uma transferência PIX de valor até R$ 100 custaria R$ 1, uma transação de R$ 250, R$ 2,50, e assim sucessivamente, até o custo de R$ 10 para transferências acima de R$ 1.000. Por seu lado, o recebimento via boleto pode ter custo menor para valores acima de R$ 250, uma vez que o preço médio de um boleto pago é de R$ 2,50 para empresas pequenas e médias, cobrado pelo banco recebedor.

A mesma análise pode ser feita para a aceitação de cartões de crédito e débito com taxas médias usuais nesse segmento de 1,5% (débito) e 3% (crédito), conforme a tabela abaixo, mostrando os custos médios de cada modalidade de recebimento, por valor do pagamento.

(*) Sem considerar custos de fraude (perdas e ferramentas de proteção), essenciais nessa modalidade, que podem representar, em média + 2% em custos.
Como vemos pelas marcações que destacam os menores custos (azul) e maiores (vermelho), o PIX é a melhor forma para valores mais baixos (até R$ 250), com o boleto tendo o menor custo para valores acima de R$ 250. O cartão de crédito é a forma mais cara de recebimento em todas as faixas, além de ser a menos segura para o empresário devido à possibilidade de chargeback.

 

Olhares diversos sobre a conveniência

 

Comparar os custos de recebimento é importante, mas, para uma análise mais ampla, é interessante considerar outros fatores, como a conveniência. Neste particular, mesmo considerando restrições de segurança como a recente limitação de valores para determinados horários definida pelo BACEN, o PIX também é destaque. O cliente paga via aplicativo com muita praticidade e, por parte de quem recebe, há a vantagem do crédito imediato em conta.

Mas cada consumidor tem seu perfil, o que nos leva à conclusão de que não há extremos nessa discussão. A questão da conveniência também precisa ser vista sob ângulos variados. Por exemplo, um cliente do segmento de insumos agrícolas recentemente nos solicitou apoio para a construção de sua plataforma de recebimento. Com um tíquete médio elevado (R$ 10 mil), era esperado que, para a sua empresa, a forma mais interessante de pagamento, do ponto de vista de custos, fosse o boleto. No entanto, foi priorizada a aceitação de cartões de crédito – de longe a forma mais cara -, pois seus clientes demandavam pagar dessa maneira para usufruir do parcelamento e de pontos de fidelidade (na maioria das vezes, o cliente é o “dono” da fazenda e mistura sua vida pessoal com a empresarial).

Não existe uma recomendação única para as formas de recebimento. Dadas as características evolutivas das tecnologias de pagamento e demandas do mercado, faz sentido analisar uma maior amplitude nas formas de receber, eventualmente trabalhando variáveis tanto de custo como de conveniência.

Algum tempo atrás, a complexidade da aceitação de pagamentos eletrônicos, e seus custos elevados, tornava as opções de receber restritas ao boleto e à transferência bancária. O mercado e a tecnologia evoluíram de modo que mesmo a forma de pagar mais recente, o PIX, com um sofisticado processo de liquidação instantânea de pagamentos e autenticação biométrica, permite a empresas pequenas e iniciantes ofertá-lo sem barreiras na integração das estruturas tecnológicas exigidas para tanto.

A régua subiu, e quem vende precisa estar atento à análise de suas formas de receber para atender às novas demandas do mercado consumidor (ou pagador).

Sobre Gastão Mattos

Com experiência de mais de 30 anos na indústria de pagamentos eletrônicos, Gastão Mattos é CEO da GMATTOS, empresa especializada em e-commerce, com foco em pagamentos e atual conselheiro da Câmara Brasileira de Economia Digital. Foi CEO da Braspag – empresa do grupo Cielo -, vice-presidente de Marketing da Visa, diretor na Credicard, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (atual Câmara Brasileira de Economia Digital) e presidente da M-Cash.
Enviado por Pitchcom Comunicação
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