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43,7% das operações de crédito com garantia de imóvel é usada para quitar dívidas, revela estudo inédito

Bruno Gama - Créditos da imagem: Divulgação

Bruno Gama - Créditos da imagem: Divulgação

Primeira edição do Panorama do Crédito com Garantia de Imóvel no Brasil mostra que empresários respondem por 32,1% dos contratos; Sul e Sudeste concentram 81,6% das operações

FlowCredi acaba de lançar a 1ª edição do Panorama do Crédito com Garantia de Imóvel no Brasil, estudo proprietário que passa a acompanhar semestralmente o perfil dos tomadores, finalidade das operações e distribuição regional da modalidade. Com base nos contratos firmados no primeiro semestre de 2026, a quitação de dívidas foi a principal finalidade das operações de crédito com garantia de imóvel (CGI), concentrando 43,7% da demanda. 

Segundo Bruno Gama, CEO da FlowCredi, os dados indicam que hoje a modalidade é utilizada principalmente como uma ferramenta de reestruturação financeira para pessoas físicas. “Na maior parte dos casos, o objetivo do contratante é substituir dívidas muito caras, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais. Em geral, ele quer reduzir o custo da dívida e recuperar a sua capacidade financeira”, afirma.

O comportamento ajuda a explicar o avanço da modalidade justamente em um momento de forte pressão sobre o orçamento das famílias. Dados de maio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que 81,6% dos lares brasileiros possuem algum tipo de dívida, o maior patamar da série histórica.

Além do pagamento de dívidas, o Panorama identificou que a realização de investimentos (33,7%), reforma de imóveis (6,8%) e aquisição de novos bens (2,1%) são outras motivações que levaram os consumidores a tomar o crédito.

Para Gama, o cenário mostra que o CGI vem deixando de ser um produto de nicho para assumir diferentes funções dentro do planejamento financeiro.

“Os dados sugerem que os consumidores estão começando a enxergar o patrimônio imobiliário como um verdadeiro ativo capaz de melhorar a gestão financeira. Em vez de recorrer automaticamente às linhas mais caras do mercado, eles têm passado a avaliar o CGI como uma alternativa tanto para reorganizar as finanças quanto para viabilizar projetos de longo prazo”, argumenta.

Perfil do contratante
O Panorama levantou que a renda média dos contratantes é de R$ 12 mil mensais. Além disso, o produto é predominantemente contratado por consumidores entre 36 e 55 anos. O grupo concentra 63,7% das operações, sendo 33,2% na faixa de 36 a 45 anos e 30,5% entre 46 e 55 anos.

Por outro lado, a participação é significativamente menor nos demais grupos etários. Consumidores de 56 a 65 anos são responsáveis por 15,8% das operações, enquanto clientes de 26 a 35 anos respondem por 11,6%. Já os jovens de 18 a 25 anos são representados apenas por 2,1% da carteira.

Para Gama, o perfil acompanha a lógica da modalidade, uma vez que ele depende da existência de patrimônio imobiliário, algo que normalmente é constituído ao longo da vida. “Por isso, é natural que a maior concentração esteja entre tomadores que já passaram pela fase de formação patrimonial e agora utilizam esse ativo de forma mais estratégica na gestão das finanças”, avalia.

Além disso, o relatório aponta que quase um terço (32,1%) dos contratos são firmados por empresários. Segundo o CEO da FlowCredi, a expressiva participação do grupo evidencia que o produto também vem sendo utilizado como instrumento de financiamento para empresas. “Como muitos empreendedores já possuem patrimônio imobiliário constituído, eles enxergam na modalidade uma alternativa estratégica para investir em projetos de expansão, aquisição de equipamentos, abertura de novas unidades ou reforço de capital de giro”, analisa. “Isso é uma boa notícia, porque esse empresário deixa de recorrer às linhas tradicionais de crédito, geralmente com taxas mais elevadas”, reforça.

Sul e Sudeste respondem por 81,6% das operações
O estudo mostra ainda que o mercado apresenta forte concentração regional. Os estados do Sul e Sudeste respondem por 81,6% das operações realizadas no primeiro semestre de 2026.

São Paulo lidera com folga, concentrando 48,2% das operações. Na sequência aparecem Minas Gerais (8,1%), Rio de Janeiro (6,4%), Paraná (6,4%), Santa Catarina (6,4%) e Rio Grande do Sul (5,8%). Fora desse eixo, Mato Grosso do Sul lidera a participação com 3% das operações, seguido por Goiás (2,8%), Bahia (2,8%) e Distrito Federal (1,8%).

Para Gama, a concentração regional está ligada a fatores estruturais do mercado, já que o CGI depende do patrimônio imobiliário e também da liquidez. “Regiões com imóveis mais valorizados, maior renda e maior apetite das instituições financeiras tendem a concentrar mais operações. Em áreas mais afastadas, a menor liquidez dos imóveis ainda limita a expansão da modalidade”, conclui.

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