Especialista explica como estratégias de benefícios passam a ser ferramenta de competitividade para pequenas e médias empresas diante da disputa por profissionais qualificados
As pequenas e médias empresas (PMEs) estão revendo suas estratégias de gestão de pessoas para enfrentar um dos principais desafios do mercado de trabalho: reter profissionais qualificados. Se antes o salário era considerado o principal fator de permanência, hoje os benefícios corporativos assumem papel cada vez mais estratégico na decisão dos colaboradores de permanecerem em uma organização.
Pesquisa da Mercer, que ouviu cerca de 12 mil executivos, líderes de RH e colaboradores em diversos países, mostra que aprimorar a experiência do colaborador e a proposta de valor ao empregado se concentra em uma das principais prioridades das empresas em 2026 para aumentar a retenção de talentos. O estudo também aponta que apenas 38% dos profissionais afirmam receber feedback regular sobre seu desempenho, enquanto somente 37% tiveram uma conversa sobre carreira com seus gestores no último ano, evidenciando a importância de investir em desenvolvimento, reconhecimento e benefícios para fortalecer o engajamento.
Em reflexo deste levantamento, essa mudança acompanha a evolução das expectativas dos profissionais, que passaram a valorizar mais qualidade de vida, flexibilidade, desenvolvimento profissional e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Diante disso, o movimento tem levado empresas de menor porte a investir em pacotes de benefícios mais inteligentes, personalizados e alinhados às necessidades de diferentes perfis de colaboradores.
Segundo Flávio Sahib, cofundador da ColaboRHa a personalização melhora a experiência do colaborador porque reconhece que diferentes gerações e perfis possuem prioridades distintas. Mas alerta que é sempre importante verificar questões legais antes de implantar benefícios.
“Em um mercado de trabalho cada vez mais diverso, oferecer benefícios de forma personalizada é uma maneira de demonstrar que a empresa compreende as diferentes necessidades de seus profissionais. Quando essas escolhas estão alinhadas ao perfil dos colaboradores, contribuem para uma experiência mais positiva, fortalecem o relacionamento com a organização e ajudam a reter talentos. Para as PMEs, essa estratégia pode ser especialmente relevante, pois permite ampliar a proposta de valor ao funcionário sem depender exclusivamente de aumentos salariais para competir por profissionais.”
Cinco benefícios que mais influenciam na retenção
Benefícios flexíveis: Permitir que cada colaborador escolha como utilizar parte do pacote de benefícios tornou-se uma das tendências mais valorizadas. Alimentação, mobilidade, cultura, educação, saúde ou auxílio home office podem ser distribuídos conforme as necessidades individuais, aumentando a percepção de valor do benefício.
Para Flávio Sahib, a personalização melhora a experiência do colaborador porque reconhece que diferentes gerações e perfis possuem prioridades distintas.
“Os benefícios deixaram de ser um pacote padronizado para atender a uma realidade muito mais diversa. Quando a empresa oferece flexibilidade para que cada profissional escolha o que faz mais sentido para sua rotina e seu momento de vida, o benefício passa a gerar valor percebido, fortalece o engajamento e contribui para a retenção de talentos. Essa personalização demonstra que a organização compreende as diferentes necessidades de seus colaboradores e investe em uma experiência mais relevante e humanizada”, afirma.
Saúde física e mental: Planos de saúde, apoio psicológico, programas de bem-estar, incentivo à atividade física e iniciativas voltadas à saúde emocional passaram a ser considerados investimentos estratégicos.
“A saúde mental deixou de ser um tema secundário. Empresas que cuidam do bem-estar integral dos colaboradores criam ambientes mais saudáveis, produtivos e com maior capacidade de retenção”, afirma Sahib.
Flexibilidade no trabalho: Horários flexíveis, banco de horas, modelos híbridos ou remoto quando compatíveis com a atividade, continuam entre os benefícios mais desejados pelos profissionais. A flexibilidade permite maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, reduz deslocamentos e contribui para o aumento da satisfação no trabalho.
Educação e desenvolvimento profissional: Auxílio para cursos, treinamentos, certificações, idiomas e programas de desenvolvimento demonstram investimento no crescimento da equipe.
Para o especialista, colaboradores permanecem mais tempo em empresas que oferecem perspectivas claras de evolução.
“Quando a empresa investe no desenvolvimento das pessoas, transmite uma mensagem importante: acreditamos no potencial desse profissional e queremos crescer juntos.”
Reconhecimento financeiro e participação nos resultados: Bonificações, programas de incentivo, premiações por desempenho e participação nos lucros reforçam o reconhecimento pelo trabalho realizado e fortalecem o senso de pertencimento.
Mesmo quando não possuem grandes orçamentos, pequenas empresas podem estruturar programas simples, transparentes e alinhados às metas do negócio.
Benefícios deixam de ser despesa para se tornar estratégia
A adoção de benefícios mais modernos também contribui para reduzir custos relacionados ao turnover, como recrutamento, seleção, integração e treinamento de novos profissionais.
Sahib observa que a gestão estratégica de benefícios deve fazer parte do planejamento das PMEs.
“Reter talentos custa menos do que substituí-los. Empresas que estruturam uma política de benefícios alinhada ao perfil dos colaboradores conseguem aumentar o engajamento, fortalecer sua marca empregadora e melhorar seus resultados. Benefícios deixaram de ser apenas uma obrigação para se tornarem uma ferramenta de crescimento.”, conclui.

