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70% das empresas ignoram a verdadeira causa dos conflitos entre gerações no trabalho, revela pesquisa inédita 

Créditos da foto: Divulgação

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Estudo “O Encontro Das Gerações” desmistifica o etarismo e aponta que atritos no ambiente corporativo nascem de choques de valores e modelos de gestão ultrapassados, e não de meras “falhas de comunicação”.

Pela primeira vez na história, o mercado de trabalho brasileiro tenta acomodar até cinco gerações convivendo simultaneamente nos mesmos escritórios. O resultado é um cenário de alta tensão: uma nova pesquisa revela que 45% dos profissionais já viveram conflitos com colegas de outras idades no ambiente corporativo. No entanto, enquanto as organizações tentam apagar incêndios com treinamentos superficiais sobre “comunicação”, os dados apontam que as empresas estão focando no problema errado.

O estudo inédito “O Encontro Das Gerações”, idealizado pela Maturi — principal referência nacional sobre diversidade etária e mercado 50+ —, em parceria com a consultoria estratégica de macrotendências Dezon e a Troiano, especialista em branding e comportamento, faz um raio-X sobre o etarismo corporativo. O levantamento comprova que o difundido “choque de gerações” é, na verdade, o sintoma de um problema estrutural muito mais profundo.

Embora o senso comum dite que os atritos ocorrem porque jovens e maduros “não sabem se comunicar”, a pesquisa revela que os reais motivadores das tensões são as diferenças de valores, o nível de dedicação esperado, as expectativas de carreira e a relação com limites e hierarquia.

Apesar desse cenário crítico, a inércia corporativa impera: 7 em cada 10 profissionais (70%) afirmam que suas empresas não possuem qualquer iniciativa estruturada para mitigar os conflitos entre diferentes faixas etárias.

Para Mórris Litvak, CEO e fundador da Maturi, a raiz do problema está na forma como o mercado se organiza. “O mercado ainda trata a diversidade etária como um ‘problema’ a ser gerenciado. O que o estudo prova é que os atritos não nascem da idade dos colaboradores, mas da insistência corporativa em manter modelos organizacionais engessados, desenhados para um mercado de trabalho que não existe mais”, analisa Litvak.

O paradoxo do talento sênior: competência invisibilizada 

O estudo também expõe uma lacuna preocupante nos processos de integração e contratação: o etarismo velado. Segundo os dados, os profissionais com mais de 50 anos são amplamente percebidos pelas equipes como os mais competentes (45%) e confiáveis (39%). Paradoxalmente, são apontados pela mesma amostra como aqueles que terão a maior dificuldade para conseguir um emprego (com mais de 50% de percepção negativa).

Cecília Troiano, CEO da Troiano, explica as raízes psicológicas por trás dos dados. “Quando as pessoas apontam a ‘falha de comunicação’ como a vilã do ambiente de trabalho, elas estão mascarando o verdadeiro atrito. No fundo, a mensagem velada por trás dessa dificuldade é: ‘eu não concordo com a sua visão de mundo, com o seu nível de dedicação ou com a forma como você lida com a autoridade’. É um choque emocional e comportamental que o RH precisa aprender a decodificar”, detalha a psicóloga e mestre em Estudos de Gênero.

O caminho para reverter a desintegração das equipes passa por abandonar a segregação por idades e abraçar novos modelos de colaboração. “A saída para essa crise não é tentar padronizar comportamentos, mas construir o que chamamos de ecologia intergeracional”, pontua Iza Dezon, CEO da Dezon e expert em macrotendências. “As empresas precisam entender como mediar essas diferenças de visão de mundo e focar no propósito como linguagem comum para engajar e integrar os times, independentemente de terem 25 ou 60 anos.”

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