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80% dos consumidores já usam IA para decidir compras e GEO ganha espaço nas estratégias de marketing

Rodrigo Oliveira - Créditos da foto: Divulgação

Rodrigo Oliveira - Créditos da foto: Divulgação

Especialista explica como avanço de ferramentas como ChatGPT na jornada de consumo cria uma nova disputa pela visibilidade das marcas no ambiente digital

A IA começa a mudar não apenas a forma como consumidores pesquisam produtos, mas também como as marcas disputam sua atenção no ambiente digital. Estudo da FinanceBuzz, realizado em parceria com o Bank of America, aponta que oito em cada dez consumidores norte-americanos já utilizam ferramentas de IA, como o ChatGPT, para auxiliar nas decisões de compras online. 

Para Rodrigo Oliveira, CFO e cofundador da Bull Digital, agência de growth marketing com atuação na Europa, no Brasil e nos EUA, os dados indicam uma mudança importante na jornada digital de consumo. “Durante muitos anos, uma das principais preocupações das marcas foi aparecer nas primeiras posições do Google. Isso continua sendo importante, mas agora existe uma nova camada nessa disputa”, explica.

Entre os consumidores que recorrem à tecnologia, 67% utilizam IA para encontrar os produtos mais adequados às suas necessidades e o mesmo percentual a utiliza para comparar produtos. Outros 58% recorrem às ferramentas para resumir avaliações. Ao mesmo tempo, as avaliações de outros compradores permanecem relevantes: 94% dos entrevistados afirmam consultá-las antes de uma compra e 57% dizem confiar mais nelas do que nas recomendações fornecidas pela IA. Se antes a descoberta de um produto passava principalmente pelos mecanismos tradicionais de busca, redes sociais e marketplaces, agora uma parcela dessa pesquisa pode começar diretamente em uma conversa com uma inteligência artificial. 

“Se o consumidor pergunta à IA qual produto atende melhor à sua necessidade, quais são as diferenças entre duas opções ou qual marca deve considerar, as empresas precisam começar a entender o que faz com que sejam encontradas e mencionadas nessas respostas”, explica Oliveira.

A mudança impulsiona uma estratégia ainda recente no marketing digital: o GEO (Generative Engine Optimization). Enquanto o SEO (Search Engine Optimization) busca melhorar a presença de páginas nos mecanismos tradicionais de busca, o GEO reúne práticas voltadas a aumentar a capacidade de conteúdos, produtos e marcas serem compreendidos e utilizados como referência por ferramentas de inteligência artificial generativa. 

Na prática, isso significa que o trabalho de marketing passa a olhar também para a qualidade e a consistência das informações que existem sobre uma empresa no ambiente digital. Informações claras sobre produtos e serviços, conteúdos que respondam às dúvidas reais dos consumidores, dados estruturados, reputação e presença em fontes confiáveis ganham importância em um cenário no qual uma IA pode reunir diferentes informações antes de formular uma recomendação.

“GEO não significa produzir conteúdo para enganar ou manipular uma inteligência artificial. É justamente o contrário: significa tornar as informações da marca mais claras, consistentes e confiáveis para que esses sistemas consigam entender quem ela é, o que oferece e em quais contextos pode ser relevante. Quanto melhor estruturada for a presença digital da empresa, maiores são as possibilidades de ela fazer parte dessa nova jornada de descoberta”, afirma Rodrigo.

A diferença também está no formato da pesquisa. Em uma busca tradicional, o consumidor recebe diferentes resultados e precisa navegar entre páginas para comparar alternativas. Em uma ferramenta generativa, ele pode descrever diretamente sua necessidade  e receber uma resposta que já organiza algumas das opções disponíveis. Esse comportamento torna a visibilidade dentro das respostas de IA potencialmente mais estratégica. Uma marca pode ter boa presença nas buscas tradicionais e, ainda assim, ser pouco mencionada quando consumidores fazem perguntas relacionadas à sua categoria em ferramentas generativas.

Para Oliveira, isso não significa que o GEO substituirá o SEO. As duas estratégias tendem a coexistir, porque consumidores continuam transitando entre buscadores, redes sociais, marketplaces, sites das marcas e, agora, ferramentas de inteligência artificial.

 “O consumidor não abandonou os outros canais. O que aconteceu foi a entrada de mais um intermediário importante na decisão. Para o marketing, a consequência é que visibilidade não pode mais significar apenas aparecer em uma busca. Cada vez mais, também significará ser uma das marcas que a inteligência artificial consegue reconhecer como relevante quando alguém pede uma recomendação”, avalia.

O especialista acrescenta ainda que a IA não elimina os fundamentos do marketing. “Uma marca ainda precisa ter um bom produto, reputação, informações confiáveis e entender profundamente o consumidor. O GEO acrescenta uma nova pergunta a essa estratégia: além de sermos encontrados pelas pessoas e pelos buscadores, estamos sendo compreendidos pelas inteligências artificiais que começam a ajudá-las a decidir o que comprar?”, conclui Rodrigo.

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