Metade dos brasileiros já compartilhou o CPF online, enquanto uma identidade brasileira completa é vendida na dark web por apenas US$ 40, aponta a NordVPN
82% dos brasileiros já compartilharam dados pessoais online, mesmo temendo roubo de credenciais, aponta NordVPN
Metade dos brasileiros já compartilhou o CPF online, enquanto uma identidade brasileira completa é vendida na dark web por apenas US$ 40, aponta a NordVPN
Com o Dia Internacional da VPN (19 de agosto) se aproximando, uma pesquisa da NordVPN revela o quanto os brasileiros estão realmente expostos online: um terço (33%) afirma que não consegue imaginar passar um dia inteiro sem estar conectado, enquanto 37% já temem que seus dados pessoais estejam circulando pela internet sem seu conhecimento, um dos maiores níveis de preocupação entre todos os países pesquisados.
No entanto, um estudo paralelo da empresa sobre a dark web revela uma discrepância significativa: os dados que os brasileiros mais temem perder não são aqueles mais negociados pelos cibercriminosos, são justamente os comercializados pelos menores preços.
“As pessoas muitas vezes imaginam o roubo de dados como um ataque dramático e direcionado. Na realidade, é algo muito mais comum: sua senha de e-mail, sua conta da Netflix ou os dados de um cartão salvo. As informações nas quais você quase não pensa são exatamente as mais comuns e baratas na dark web, porque são fáceis de roubar”, afirma Marijus Briedis, diretor de tecnologia (CTO) da NordVPN.
Informações pessoais já estão expostas
As preocupações dos brasileiros não são infundadas, já que os usuários de internet do país compartilham mais informações pessoais online do que quase todas as outras nacionalidades pesquisadas.
Ao todo, 82% já compartilharam seu nome completo, 78% sua data de nascimento e 63% tanto seu endereço residencial completo quanto seu status de relacionamento. Mais de um terço (36%) já compartilhou imagens próprias ou de familiares.
O dado mais impressionante é que metade dos brasileiros (51%) já compartilhou seu CPF, usado para acessar desde contas bancárias até registros de saúde, enquanto 21% já compartilharam seus dados bancários.
Para muitos, o arrependimento já apareceu: 21% afirmam ter compartilhado informações pessoais online que depois desejaram não ter divulgado, quase o dobro da média global.
O que realmente está à venda: a tabela de preços da dark web
Os dados da NordVPN também mostram quanto vale, na prática, uma identidade digital brasileira — e os preços são surpreendentemente baixos:
- Cartões de pagamento roubados: preço mediano de cerca de US$ 13 — menos do que muitos consumidores pagam por uma pizza entregue em casa.
- Dados de identidade: um “fullz” — conjunto completo de dados pessoais de uma identidade, incluindo as informações que os brasileiros compartilham com maior facilidade — pode ser vendido por apenas US$ 40.
- Contas de e-mail: uma conta brasileira do Office365 é vendida por uma média de US$ 26,50 — o acesso à caixa de entrada da vítima e, consequentemente, às redefinições de senha de todos os outros serviços que ela utiliza.
- Contas do dia a dia: acessos a serviços de streaming, como Netflix, podem ser vendidos por menos de US$ 5, enquanto contas de redes sociais variam de US$ 12, no Telegram, a US$ 60, no TikTok.
- O dinheiro de verdade está no setor financeiro: contas bancárias e de fintechs comprometidas alcançam os maiores preços. As contas da Wise são vendidas por uma mediana de US$ 899, enquanto as contas da Revolut ultrapassam US$ 1.700.
“Os resultados revelam um paradoxo: as pessoas se preocupam mais com dados considerados ‘grandes’, como informações bancárias, números de identificação e registros médicos, mas os criminosos frequentemente miram contas do cotidiano — e-mail, streaming e redes sociais. Uma única conta de e-mail hackeada, vendida pelo preço de um aperitivo, pode levar ao roubo completo de identidade”, explica Briedis.
O que os brasileiros sacrificariam para começar do zero
A pesquisa também mostra quanto a privacidade digital vale emocionalmente para os brasileiros.
Questionados sobre aquilo de que abririam mão para ter sua presença online completamente apagada, 22% deixariam de jogar videogames, 21% abririam mão de bebidas alcoólicas e 19% parariam de assistir a filmes e programas de televisão. Ao mesmo tempo, 13% abririam mão de pizza ou macarrão.
“Cibersegurança não tem a ver com paranoia, mas com hábitos. Senhas fortes e exclusivas, autenticação multifator, uma VPN em redes públicas e limitar aquilo que você compartilha: essas medidas simples colocam você à frente da grande maioria dos alvos, porque os criminosos sempre procuram primeiro a vítima mais fácil”, acrescenta Briedis.

