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84% das mulheres silenciam suas dores: Fernanda Lima recebe Rafa Kalimann em podcast sobre saúde feminina

Rafa Kalimann, Mariana Ferreira e Fernanda Lima. Crédito imagem Jhonson Franco

Rafa Kalimann, Mariana Ferreira e Fernanda Lima. Crédito imagem Jhonson Franco

Com apoio da Boticário e parceria da Timelens, novo episódio do Zen Vergonha, também contou com a presença da ginecologista Mariana Ferreira e discutiu temas como racismo médico e tabus da maternidade

Uma pesquisa recente do Centro de Pesquisa da Mulher do Grupo Boticário revelou um dado alarmante para a saúde pública: 84% das mulheres adultas aprenderam a conviver com algum tipo de dor em silêncio. Para debater as raízes desse apagamento e romper estigmas da saúde feminina, Fernanda Lima reuniu a ginecologista Mariana Ferreira e a apresentadora Rafa Kalimann em episódio recente do Zen Vergonha, podcast que tem apoio de O Boticário e da Timelens, empresa da  FutureBrand São Paulo.

A dor invalidada e o recorte de raça nos consultórios

O programa teve como ponto de partida a constatação de que 70% das entrevistadas já se sentiram desacreditadas por profissionais de saúde ao relatarem desconfortos, fazendo com que duvidassem das próprias queixas. A Dra. Mariana Ferreira alerta que isso reflete uma medicina fundamentada em perspectivas masculinas, que historicamente negligenciou o corpo feminino e normalizou suas dores.

“Crescemos aprendendo que sentir dor faz parte do pacote feminino. É como se o corpo da mulher estivesse sempre sob suspeita, se sentir fosse um exagero, um drama. E o que acontece? Começamos a duvidar da nossa própria dor e, na dúvida, nos calamos”, afirma a apresentadora.

A situação se torna ainda mais crítica quando analisada sob a ótica do racismo estrutural. A médica ressalta que as queixas de mulheres negras são consideravelmente menos validadas e elas são menos examinadas. 

“Muitos sintomas não foram ouvidos ao longo da formação da medicina moderna. A mulher deixa de compartilhá-los por medo ou vergonha e isso pode atrasar diagnósticos essenciais. Além disso, as queixas das mulheres negras são menos validadas, elas são menos examinadas e isso resulta em desfechos muito mais negativos e no aumento do risco de mortalidade”, alerta a dra. Mariana.

Com acesso reduzido a procedimentos de qualidade,  chegam a ter quatro vezes mais chances de mortalidade no período que vai do pré-natal ao puerpério em comparação às mulheres brancas, segundo a pesquisa da Boticário.

A ausência de um espaço seguro no ambiente médico afeta profundamente também a comunidade LGBTQIAPN+. O estudo do Centro de Pesquisa da Mulher ainda revela que cerca de 100% das mulheres entre 18 e 24 anos da comunidade admitem sentir vergonha do próprio corpo, e muitas esbarram na presunção automática de heterossexualidade nos atendimentos médicos.

Maternidade real e o fim do silêncio na saúde mental 

Fugindo da narrativa das celebridades intocáveis, a apresentadora Rafa Kalimann compartilhou seu histórico com a saúde mental, revelando abertamente que convive com diagnóstico de depressão há quatro anos e com síndrome do pânico há oito. Mãe de uma bebê de três meses chamada Zuza, ela abordou a quebra da “romantização da maternidade”, descrevendo a experiência como uma catarse de emoções que envolve o enorme peso e responsabilidade de “manter uma pessoa viva”.

A apresentadora destacou a importância do acompanhamento psiquiátrico e psicológico contínuo, principalmente durante a gestação, para lidar com as cobranças sociais sem carregar o peso da culpa materna.

“Foi um desafio diário aceitar o diagnóstico de depressão, no passado. Na maternidade, as pessoas cobram que você esteja sempre feliz por estar grávida, mas você vive um turbilhão de medos e inseguranças junto. Ter intensificado a terapia foi o que me permitiu viver o puerpério hoje tirando esse peso enorme; pela primeira vez, eu só me permito ser”, revela Rafa.


Das cólicas à menopausa 

O bate-papo viaja pelas diferentes fases da vida da mulher, mostrando como o tabu e a falta de diálogo atravessam gerações de forma silenciosa. O susto e a desinformação relatados na primeira menstruação ecoam mais tarde na chegada do climatério e da menopausa, momento em que 60% das mulheres admitem sentir vergonha dos sinais da idade e 41% chegam a tentar esconder sintomas absolutamente fisiológicos e naturais, como os fogachos.

O episódio, que funciona como uma verdadeira ferramenta de letramento corporal e emocional, mostra que a informação é o único caminho para construir uma autonomia real, para que as mulheres parem de tratar seus corpos como um segredo a ser escondido.

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