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Quais são os ganhos para o mundo da ciência com a saída de Donald Trump?

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Por Gustavo Simões*

Ainda não se sabe como Joe Biden agirá no cargo de presidente dos Estados Unidos, mas uma coisa é certa: pesquisadores e cientistas do mundo todo comemoram a saída de Donald Trump. Em seus quatro anos no poder, o republicano negou mudanças climáticas, reverteu as regulamentações ambientais e de saúde pública e minou a ciência e as instituições científicas.

Nos últimos meses, a pandemia do novo coronavírus também foi terra fértil para declarações e atitudes controversas que fizeram de Trump um dos líderes mundiais que mais contrariaram evidências científicas e atenuaram a gravidade da situação.

Seja sugerindo injeções de desinfetante como tratamento para covid-19, afirmando que tomava hidroxicloroquina como método de prevenção e insistindo em fazer aglomerações sem uso de máscara em comícios durante a campanha, Trump mentiu sobre os perigos representados pelo coronavírus e atrapalhou os esforços para contê-lo. Mais do que isso: suas ações descredibilizaram a ciência e minimizaram a doença que já matou mais de 240.000 pessoas nos Estados Unidos e mais de 1 milhão em todo mundo.

As ações isolacionistas de Trump também fizeram o protagonismo dos EUA regredir mundialmente. Ao fechar as portas para muitos visitantes e imigrantes não europeus, ele tornou o país menos atrativo para estudantes e pesquisadores estrangeiros. Com a demonização que orquestrou contra associações internacionais como a Organização Mundial da Saúde, enfraqueceu a capacidade do país de responder às crises globais e isolou a ciência.

Agora, com sua saída, a tendência é que o espaço que foi aberto para que outros países e líderes populistas mundo afora enveredassem seguindo seus (maus) exemplos, aos poucos, cesse. No Brasil, inclusive. Com isso, nós pesquisadores ganhamos novo fôlego para realizar um trabalho que sempre precisou lidar com a escassez de recursos, mas que nos últimos tempos também vem enfrentando o corte de bolsas de pesquisa.

Como diretor da Nanox, uma empresa especializada em nanotecnologia originada dentro da Universidade Federal de São Carlos, falo com propriedade a respeito da importância das pesquisas científicas para a sociedade. É desta forma que são descobertas curas para doenças (vide a tão aguardada vacina contra o coronavírus que vem sendo desenvolvida e testada) e soluções tecnológicas que modificam e melhoram a vida da população como um todo – como os produtos à base de materiais como as micropartículas de prata que agora também tiveram eficiência comprovada no combate ao Sars-CoV-2.

O mundo não vive sem a ciência em nenhum âmbito e isso inclui desde a comida que consumimos em nossas casas, às roupas que usamos e tudo o que utilizamos em nosso dia a dia tanto para lazer quanto no trabalho. Por isso, a importância da mudança de liderança do país mais rico do mundo é de que isso possa devolver o papel de relevância e credibilidade que a ciência merece por tudo o que sempre fez e faz em benefício da sociedade.

*Gustavo Simões é Doutor em Química pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), co-fundador e Diretor da Nanox

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