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A nova fronteira de inovação no mercado de criptoativos pede investimentos para além da espuma do hype

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moneyphotos para Unsplash
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A febre do ouro das criptomoedas, que coroou bilionários da noite para o dia e alimentou um frenesi especulativo, parece ter chegado ao fim. A maturação do mercado impôs uma nova realidade: para inovar e empreender no setor financeiro hoje, ter uma ideia de um novo token já não é suficiente. A uma nova onda de disrupção no setor exigirá a construção de infraestrutura, a solução de problemas reais e uma navegação habilidosa em um ambiente de negócios cada vez mais complexo.

Mas o que é preciso para ter sucesso nesse cenário? Quais os desafios e as oportunidades únicas da América Latina, um dos mercados mais promissores e voláteis do mundo? E para responder a essas perguntas, a brasileira Denise Cinelli, COO global da CryptoMKT, uma das mais importantes exchanges de criptoativos com origem na região ,apontará a seguir como a inovação hoje nesse setor é menos sobre criar ativos e mais sobre construir os trilhos para a próxima geração do mercado de capitais.

Por empreendedores mais ‘fin’ do que ‘tech’

Se a primeira onda de fintechs e projetos cripto foi liderada por desenvolvedores e visionários da tecnologia, a fase atual demanda uma fusão de competências. Segundo Cinelli, o empreendedor de sucesso hoje precisa transitar com a mesma fluidez pela Faria Lima e pelo Vale do Silício.

“Acabou a era do gênio da programação que cria um protocolo revolucionário em sua garagem sem entender de regulação. Hoje, o empreendedor precisa nascer com um DNA duplo. Esse empreendedor precisa entender de tecnologia blockchain, sim, mas precisa ter um time robusto que entenda muito bem de regulação, compliance, gestão de risco e pela estrutura do mercado financeiro tradicional. A inovação que escala é aquela que consegue dialogar com o regulador e com o conselho de administração de um grande banco”, explica a executiva.

Essa estratégia, segundo Denise, deu muito certo para a exchange: “ter a possibilidade de se antecipar a uma possível solicitação, nova regulação e até mesmo o conhecimento para prestar esclarecimentos é fundamental para a sobrevivência. Por isso, contar com a Fernanda Juppet como CEO foi estrategicamente pensado para que nessa nova fase do mercado pudéssemos estar um passo à frente dos reguladores e não ser pegos de surpresa”, aponta. 

Fernanda, que é a maior executiva da empresa, é advogada e LL.M (Universidade da Califórnia, Berkeley), possui MBA (Universidade de Valência) e PhD em Negócios (Cass Europa). Além disso, atuou como assessora em assuntos corporativos, gestão e docência universitária em diversas universidades. Também trabalhou como Comissária da Comissão Nacional de Acreditação no Chile, país de origem da CryptoMKT,  é especialista em Direito Societário e possui cinco livros publicados em áreas de sua especialidade, entre eles “Princípios de Administração de Empresas” (2010) e “Compliance: Overview sob uma perspectiva criminal e comercial” (2019), além de ter participado de mais de 40 artigos acadêmicos.  

América Latina, suas dores e oportunidades

Nenhuma região do mundo apresenta de forma tão clara a dualidade entre problemas estruturais e oportunidades de inovação como a América Latina. Para se ter uma ideia, segundo o Fintech Report 2025, realizado em parceria entre o Distrito e o Banco Santander, 43,5% dos unicórnios latino-americanos e cerca de 70% dos “aspirantes a unicórnio” atuam no mercado financeiro e conseguiram abocanhar, na última década, mais de US$ 10 bilhões em investimentos apenas no Brasil. “Apesar da volatilidade, o investimento em fintechs na região continua robusto porque resolvemos dores reais, como fácil acesso ao sistema bancário e ao  mercado financeiro”, aponta Denise.

  • Oportunidades: Uma população jovem e digitalizada, altos índices de desbancarização, economias com inflação persistente que geram demanda por proteção de patrimônio e um mercado gigantesco de remessas internacionais e pagamentos transfronteiriços;
  • Desafios: Um labirinto regulatório fragmentado entre os países, instabilidade política e econômica que afugenta o capital mais conservador, e a dificuldade de acesso ao crédito e venture capital em estágios mais avançados.

“As dores são evidentes, mas a solução não é um ‘copia e cola’ do modelo americano. Empreender para e na América Latina é ser um ‘arquiteto de pontes’: pontes entre o sistema financeiro tradicional e o novo, pontes entre diferentes regulações e, principalmente, pontes culturais. A oportunidade não está em criar ilhas de inovação, mas em conectar ecossistemas”, exemplifica Cinelli.

Inovação para além das criptomoedas

A executiva da CryptoMKT é enfática sobre o foco da vanguarda da inovação do setor, que saiu dos ativos em si e migrou para a tecnologia subjacente e suas aplicações no mundo real. “A inovação de hoje é menos sobre criar uma nova moeda e mais sobre usar a tecnologia blockchain para tornar o mercado de capitais tradicional mais eficiente, transparente e acessível”, explica.

Segundo ela, três áreas definem a nova dinâmica:

  1. Tokenização de Ativos do Mundo Real (RWA): a transformação de ativos ilíquidos – como imóveis, recebíveis, safras agrícolas e até mesmo precatórios – em tokens digitais negociáveis. “Isso vai destravar trilhões em valor, fracionando o acesso a investimentos antes restritos a grandes players”, diz Cinelli.
  2. Infraestrutura para a Economia Digital: a criação de ferramentas e serviços que permitem a operação segura e regulamentada da nova economia. Isso inclui soluções de identidade digital soberana, plataformas de compliance (KYC/AML) para finanças descentralizadas (DeFi) e soluções de custódia institucional.
  3. DeFi para o Mundo Corporativo: a aplicação de protocolos de finanças descentralizadas para resolver problemas de empresas, como gestão de tesouraria com stablecoins, acesso a linhas de crédito mais baratas e transparentes, e automação de pagamentos internacionais.

“O jogo mudou e o empreendedor que terá sucesso não é o que busca o próximo Bitcoin, mas aquele que está construindo, de forma resiliente e regulamentada, os alicerces do mercado financeiro do futuro. E a América Latina, com todos os seus desafios, é o lugar mais fértil para essa construção”, finaliza Cinelli.

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