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O prato (in)visível da crise climática: por que o desperdício de alimentos deve estar na mesa da COP30

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Lucas Infante_CEO e cofundador_Crédito Luana Almeida
Lucas Infante_CEO e cofundador_Crédito Luana Almeida

Por Lucas Infante, CEO da Food To Save*

Com a COP30 se aproximando e reunindo líderes globais para discutir soluções contra as mudanças climáticas, há um tema essencial que segue à margem do debate: o desperdício de alimentos.

Segundo a ONU, 1,3 bilhão de toneladas de comida são desperdiçadas todos os anos. Isso não é apenas um problema ético ou social. É também um desafio climático. 

Da produção ao transporte, cada alimento consome recursos e emite gases de efeito estufa. Quando é descartado, essas emissões se somam novamente, desta vez vindas dos aterros sanitários.

Cada fruta, pão ou pedaço de carne jogado fora representa água, solo fértil e energia que nunca cumpriram seu papel. Um desperdício duplo: climático e humanitário.

O IPCC estima que o desperdício de alimentos seja responsável por cerca de 8% das emissões globais. Em um mundo com fome e desigualdade crescentes, podemos continuar tratando esse tema como secundário?

Há exemplos que mostram o potencial de mudança. A França proibiu supermercados de descartarem comida e obrigou a doação. Cidades como Copenhague e Milão operam redes eficientes de redistribuição, inspirando políticas públicas no mundo todo.

Reduzir o desperdício não depende de tecnologias futuras nem de décadas de transição. É uma medida de alto impacto climático e retorno social imediato.

Se a COP30 quer acelerar ações concretas, precisa colocar o prato invisível no centro da mesa. Não há solução climática completa sem enfrentar o que sobra e o que nunca deveria sobrar.

E nós? Além de cobrar líderes e empresas, é preciso rever nossos próprios hábitos. No Brasil e no mundo, mudar a cultura de consumo é tarefa coletiva, mas começa no individual. A pergunta é: vamos continuar servindo o planeta com promessas ou finalmente tirar o desperdício do prato?

*Formado em Administração pela PUC-Campinas e pós-graduado em Gestão de Negócios pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), Lucas Infante atuou na administração de grandes negócios, como a Ultragaz e de uma unidade do Carrefour na Espanha. Desde jovem, tinha uma inquietação sobre o destino da comida jogada fora e o desperdício de comida no mundo. Por isso, em 2021, fundou a Food To Save com o propósito de revolucionar o desperdício de alimentos no país, além de promover o acesso a bons alimentos, de forma mais sustentável e ajudando o meio ambiente. 

Foi eleito empreendedor do ano pela EY, reconhecido como um dos Top 50 Creators do LinkedIn na categoria Food Industry & Food Tech e já participou de importantes fóruns e eventos nacionais e internacionais, participando de debates sobre o desperdício de alimentos no Brasil e como a tecnologia pode colaborar para mudar essa realidade.

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