Levantamento da ABIV, conduzido pelo IEMI, reúne dados sobre produção, emprego e canais de venda e reforça o papel econômico do Polo de Moda do Bom Retiro.
O Polo de Moda do Bom Retiro, localizado na cidade de São Paulo, movimenta R$ 5,3 bilhões por ano na produção de vestuário, com 50,5 milhões de peças fabricadas anualmente por 757 empresas e 19,4 mil trabalhadores concentrados em um único bairro da capital paulista.
É o que mostra o Censo do Bom Retiro – Indústria e Varejo 2025, levantamento inédito divulgado nesta quinta-feira (13), encomendado pela Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV), entidade que representa o Polo do Bom Retiro e empresas no segmento do vestuário de diferentes estados, e executado pelo IEMI – Inteligência de Mercado.

A região reúne 780 unidades fabris e 804 pontos de venda, formando um ecossistema de produção, distribuição e abastecimento do varejo de moda para diferentes regiões do país, operando com média de 26 trabalhadores por empresa.
O levantamento compara o desempenho do Polo com os principais recortes territoriais da indústria de vestuário e aponta o Bom Retiro como um núcleo produtivo de alta densidade. No Brasil, há 20.776 indústrias do setor de Vestuário, que empregam 937.674 trabalhadores e produzem 5,36 bilhões de peças ao ano, com valor de produção estimado em R$ 170,6 bilhões. No Estado de São Paulo, são 4.873 indústrias, 211.421 trabalhadores, 1,28 bilhão de peças anuais e R$ 40,7 bilhões em valor de produção. Na capital, 2.328 indústrias reúnem 83.957 trabalhadores, com 368,6 milhões de peças e R$ 23,9 bilhões em valor de produção.
Em termos proporcionais, os números do Bom Retiro representam 16,0% das indústrias do setor no Estado, 23,1% da mão de obra da cidade, 13,7% da produção em peças na capital e 22,1% do valor de produção da cidade, evidenciando a região como uma das maiores densidades produtivas do setor no país.
O perfil das empresas reforça esse caráter. A grande maioria opera em formato de loja (93,2%), com produção própria (97%). Apenas 2,2% compram peças para revenda sob marca própria e 0,7% comercializam marcas de terceiros, o que reforça a identidade autoral e a independência produtiva do polo.
Trata-se, majoritariamente, de pequenas e médias confecções: 46,1% possuem até 10 funcionários, 29,7% mantêm equipes entre 11 e 29 colaboradores, 10,3% têm entre 30 e 49 funcionários e 5,1% contam com mais de 100 empregados.
O levantamento mostra ainda que 87,1% das lojas mantêm a unidade fabril no próprio Bom Retiro. Apenas 7,6% possuem produção em outros bairros da cidade de São Paulo, 1,2% em outras cidades do estado e 1,1% em outros estados brasileiros. Já 3% das empresas não possuem unidade fabril.

Abastecimento do varejo
O perfil de clientes confirma o papel do Polo de Moda do Bom Retiro como centro de abastecimento para o varejo nacional. Ao todo, 93,5% das lojas atendem lojistas especializados em vestuário (como multimarcas, boutiques, lojas de bairro, redes e departamentos de moda), 61,8% vendem para sacoleiras e revendedores e 38,7% também atendem o consumidor final. Além disso, 4,0% comercializam para lojas não especializadas (como Pernambucanas, Americanas e hipermercados como Carrefour), 3,6% têm como destino o comércio, 1,9% destinam parte da produção à exportação e 0,9% atendem o segmento institucional (como hotéis, pousadas, clínicas, laboratórios e empresas).
O Polo tem na moda feminina sua linha predominante, presente em 87,3% das lojas pesquisadas, com destaque para a moda casual, que representa 20,9% desse mercado. Os demais segmentos incluem linhas masculinas, sociais, festa, íntima, bebê e infantil, o que amplia a capacidade de abastecimento do varejo nacional.
As vendas presenciais seguem como base da operação: 100% das lojas realizam atendimento físico no Polo. Ao mesmo tempo, a digitalização avança: 70,3% das lojas afirmam vender também pela internet. No atendimento e negociação, o WhatsApp é o principal canal, utilizado por 90,3% das empresas. Além disso, 53,7% mantêm e-commerce próprio, 53,0% vendem por marketplaces voltados ao atacado e 47,3% por marketplaces voltados ao varejo.
“O Bom Retiro ainda é subavaliado em termos de percepção pública. Há quem o associe apenas ao comércio popular, quando, na prática, estamos falando de um polo produtivo que abastece o varejo nacional e que gera emprego, turismo e renda A região concentra desenvolvimento, modelagem e produção, com velocidade de resposta e leitura rápida de tendências, antecipando movimentos que chegam das passarelas internacionais. Lojistas de diferentes estados vêm ao Polo para abastecer suas coleções. É um ativo econômico da cidade que precisa ser reconhecido como tal”, afirma Cinthia Kim, presidente da ABIV.
Reposicionamento em curso no Polo de Moda
O Censo integra o plano de reposicionamento do Polo de Moda do Bom Retiro, conduzido pela ABIV e impulsionado pela entrada de uma nova geração de empresários — muitos deles filhos e netos de imigrantes que fundaram as confecções há três ou quatro décadas e que agora imprimem ao bairro um olhar de marca, competitividade, estratégia comercial e fortalecimento do território. O objetivo é reposicionar o Bom Retiro e seu Polo de Moda, valorizando o potencial econômico de uma região que abastece lojistas do país inteiro e que historicamente movimenta a economia paulistana.
A divulgação do Censo ocorre em paralelo à implementação de um sistema de vigilância integrado, no qual estão previstas 80 câmeras de monitoramento 24h instaladas nas principais ruas comerciais, conectadas diretamente à central da Polícia Militar. O projeto, que recebeu um investimento na implantação na ordem de R$ 500 mil, já conta com 66 câmeras em funcionamento (das 80 previstas), com conclusão prevista ainda este ano.

Outra frente é o fortalecimento da marca Universo da Moda Bom Retiro (UMBR), que tem articulado parcerias com comerciantes de outros polos de moda do país, com foco nos revendedores regionais. Já está em andamento um projeto-piloto no qual mostruários de confecções circulam entre lojistas de diferentes estados, apresentando o polo como um hub nacional de abastecimento e referência para o atacado.
O plano inclui ainda negociações com marketplaces e apps de varejo para melhorar condições de entrada e operação das confecções dentro dessas plataformas, além da criação de um hub de conteúdo para auxiliar marcas que não possuem equipes de marketing a divulgarem seu portfólio. Capacitações em vendas, legislação, consultoria de estilo, além de benefícios como assessoria jurídica, desconto em serviços como de logística, correio, transações financeiras e certificações também fazem parte das medidas para impulsionar o comércio local.
Para 2026 estão previstos ainda o desenvolvimento de um aplicativo voltado ao atacado, como ferramenta de vendas e relacionamento com compradores, além da criação de uma plataforma de empregos. A iniciativa responde a uma demanda recorrente do polo: o alto volume de vagas abertas ao longo do ano, reflexo do aumento no fluxo de consumidores atacadistas e varejistas na região.
Mais informações em Abiv e (@abivoficial)








