Evento programado para março deve impulsionar debates sobre governança, produtividade e adaptação ao novo ciclo tributário
A abertura da comunicação institucional do PXP26, evento previsto para março de 2026, ocorre em um momento decisivo para o setor contábil. O próximo ano marcará o início do “ano-teste” da reforma tributária, previsto na Emenda Constitucional nº 132/2023, quando empresas e escritórios deverão operar simultaneamente o modelo antigo e as alíquotas simbólicas da CBS e do IBS. O Ministério da Fazenda afirma que essa fase será fundamental para calibrar sistemas, revisar processos e adaptar fluxos internos antes da implementação gradual prevista até 2033.
O cenário reforça a relevância do PXP26 como espaço de organização antecipada e projeção de tendências. A expectativa é que o evento aprofunde discussões sobre estruturação de processos, uso de tecnologia, revisão de rotinas e integração operacional, temas que vêm ganhando centralidade no setor. Essa necessidade já aparece em diagnósticos recentes: levantamentos da Potencialize Resultados indicam que o retrabalho ainda consome até 25% da produtividade dos escritórios contábeis, sendo que 73% das tarefas refeitas poderiam ser evitadas com fluxos claros, uso sistemático de checklists e indicadores de desempenho.
Para Hygor Lima, especialista em gestão de processos e fonte indicada para temas relacionados à organização interna dos escritórios, 2026 exigirá um movimento de profissionalização mais rápido e profundo do que o observado em anos anteriores. “O setor vai operar duas lógicas tributárias ao mesmo tempo. Isso exige precisão e processos maduros. O início da comunicação do PXP26 abre terreno para discutir, com antecedência, a estrutura operacional mínima para atravessar esse período com segurança. É o momento de falar com quem está no dia a dia dos escritórios, lidando com problemas que poderiam ser resolvidos com mais autonomia e organização interna”, afirma o consultor, que assessora mais de 400 escritórios em todo o país.
Dados internacionais reforçam a importância da preparação antecipada. Relatórios do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostram que transições para modelos de IVA bem-sucedidos em países emergentes foram acompanhadas por investimento prévio em integração de sistemas, treinamento e padronização de rotinas. Experiências de regiões como Canadá, Índia e União Europeia indicam que o alinhamento operacional e tecnológico antes da virada de modelo reduz riscos de inconsistência, autuações e perda de produtividade.
No Brasil, a complexidade do processo deve se intensificar com o avanço da fiscalização eletrônica. Escritórios que já operam com rotinas estruturadas registraram queda de 41% em notificações ligadas a inconsistências do Simples Nacional, segundo levantamento da Potencialize Resultados, indicador que evidencia o impacto da gestão preventiva na redução de riscos fiscais.
Na avaliação de Hygor Lima, a agenda de 2026 representa menos uma mudança tributária e mais uma mudança de estrutura. “Os escritórios precisam revisar fluxos críticos, atualizar sistemas, reorganizar responsabilidades internas e treinar equipes para garantir coerência entre dois modelos fiscais. O contador que não aguenta mais ser chamado para resolver problemas que poderiam ser evitados com processos claros e sistemas bem utilizados vai encontrar no PXP26 um espaço para reorganizar sua operação. A antecipação é a única forma de manter qualidade e previsibilidade”, afirma.
A programação detalhada do evento deve ser divulgada nos próximos meses, com foco em produtividade, inovação, governança operacional e organização interna para o novo ciclo tributário. A expectativa é que o PXP26 funcione, para o setor, como uma plataforma de alinhamento antecipado diante das transformações que moldarão a rotina contábil a partir de 2026.








