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Desbancarização ganha força em 2026 com FIDCs rumo ao 1° trilhão, afirma gestora

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A expansão do crédito fora dos bancos e o avanço das estruturas regulatórias impulsionam os FIDCs a um novo patamar em 2026, aproximando a indústria do 1° trilhão sob gestão

O mercado de FIDCs entra em 2026 com uma projeção inédita: o patrimônio líquido da indústria, que ultrapassou R$ 810 bilhões em 2025, pode chegar a R$ 1 trilhão ainda nos 1° meses de 2026. O ritmo acelerado reflete a migração estrutural do crédito no país, com mais empresas buscando alternativas ao sistema bancário tradicional e mais investidores ampliando sua exposição a Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). A consolidação da CVM 175, que abriu o acesso a uma gama maior de investidores, e a maturação das estruturas subordinadas e sêniores criaram um ambiente de escala e segurança que favorece a expansão. A indústria chega a 2026 com maior diversificação, originação mais sofisticada e demanda crescente por crédito pulverizado, movimentos que reposicionam os FIDCs como protagonista na indústria de fundos. A popularização do produto entre investidores transformou profundamente a dinâmica do setor e ampliou o alcance dos fundos em um ritmo que poucas classes conseguiram acompanhar. Com a possibilidade de acesso às cotas sêniores, consideradas a camada mais segura da estrutura, esses investidores passaram a ocupar um espaço relevante na formação de capital dentro dos FIDCs. Em paralelo, investidores institucionais também intensificaram a compra das cotas dos FIDCs. 

       O avanço dos FIDCs também é consequência direta da desaceleração do crédito bancário tradicional e da reconfiguração do mercado de capitais, que se tornou o principal vetor de diversificação das empresas nos últimos anos. Hoje, 76% do crédito nacional ainda circula dentro dos bancos, mas estudos recentes da Ouro Preto Investimentos mostram que há uma tendência de redução gradual dessa concentração. O levantamento indica que o mercado de capitais poderá chegar a 37% de participação até 2029 e ultrapassar o sistema bancário em 2034, quando 51% do crédito deve estar fora dos bancos. Segundo Leandro Turaça, sócio-gestor da Outro Preto Investimentos, o movimento não surge por acaso. Ele acompanha o aumento da demanda por alternativas de financiamento, pela busca de originação especializada e pela maior capacidade dos FIDCs de atender empresas de vários tamanhos e segmentos. O crescimento do crédito alternativo também reflete o amadurecimento de instrumentos como debêntures, CRIs e CRAs, que compõem o bloco de produtos responsável por acelerar a descentralização financeira no país e ampliar o acesso das companhias a capital competitivo.

       A perspectiva para 2026 é de expansão. Estruturas mais complexas, fundos multissetoriais e originação de recebíveis pulverizados devem sustentar o crescimento da indústria, que já representa 6,9% do mercado de fundos, acima dos fundos de ações. O avanço do crédito alternativo, somado à digitalização da originação e ao apetite institucional por retornos superiores ao CDI, tende a manter o setor na liderança do crescimento entre as classes. “A indústria se tornou mais madura. 2026 deve ser o ano em que o investidor finalmente enxerga os FIDCs como peça estrutural da carteira, não mais como um produto de nicho. O horizonte aponta para escala, governança e diversificação como motores de desempenho”, diz Leandro Turaça. Para ele, a combinação entre demanda reprimida por crédito, ambiente regulatório mais claro e capacidade crescente de originação deve colocar os FIDCs no centro da expansão do mercado de capitais.

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