ESTAR MÓVEIS APRESENTA MUTUALISMOS
Exposição com curadoria de Fernando Velázquez & Lucas Bambozzi (MOOLA)
A ESTAR Móveis apresenta Mutualismos, com curadoria de Fernando Velázquez e Lucas Bambozzi, do coletivo MOOLA, durante a 15ª edição da DW! Semana de Design de São Paulo, que acontece de 5 a 14 de março de 2026, com visitação pública a partir das 10h.
No dia da abertura, em 5 de março, às 17h, o coletivo (se)cura humana realiza a ação performática inaugural Corpo-Árvore, estruturada como um manifesto sobre os processos de transformação urbana. A intervenção acontece na praça em frente à loja conceito.
A mostra reúne quinze artistas e coletivos de projeção internacional e trajetória consolidada, entre eles Francis Alÿs, Eder Santos e Raquel Kogan, ao lado de investigações contemporâneas que ampliam o debate entre arte, tecnologia e espaço.

CONCEITO
Em Mutualismos, a ESTAR Móveis propõe uma reflexão sobre as redes de interdependência que estruturam a vida contemporânea.
A exposição investiga as relações entre matéria, energia, tecnologia e ambiente, reconhecendo que cada fenômeno se constitui em diálogo com inúmeros outros.
Inspirado no conceito biológico de mutualismo, que descreve relações nas quais organismos coexistem em benefício mútuo, o projeto amplia essa ideia para o campo artístico, onde forças naturais, sociais e tecnológicas se entrelaçam em fluxos contínuos de coexistência.
Entre instalações, vídeos, pinturas e dispositivos sonoros, os trabalhos revelam fricções, equilíbrios instáveis e zonas de passagem. Água, luz, som, concreto e magnetismo emergem como agentes ativos, evidenciando que habitar o mundo é sempre interferir nele.
Em um momento marcado por instabilidades ecológicas e pelo esgotamento de modelos civilizatórios que fragilizaram nossa relação com o ambiente, a mostra convida o público a rever suas formas de percepção e presença no mundo. Ao evidenciar vínculos muitas vezes invisíveis, Mutualismos afirma que o corpo não termina na pele e que a paisagem não termina no horizonte.
TEXTO CURATORIAL MOOLA | MUTUALISMOS
“A biosfera é entrelaçamento, interdependência, intercâmbio e cooperação.
Da matéria forjada nas primeiras estrelas vieram os elementos que hoje compõem a vida. A energia do sol sustenta a vida na Terra, desde as plantas, que produzem o ar que respiramos e se alimentam dos sais e minerais do solo, até nós, que ao final do ciclo retornamos à terra e rehabitamos o planeta transmutados. Forças invisíveis a olho nu, como os campos magnéticos e a gravidade, regulam ventos, marés e oceanos, que por sua vez modulam o clima e os ritmos da vida. Assim, cada fenômeno existe em relação a incontáveis outros, em um encadeamento contínuo que conecta e afeta.
E a água a ver com tudo. Se o rio seca, a floresta adoece. Se o solo empobrece, a colheita muda. Se uma espécie desaparece, uma rede inteira entra em alerta. O equilíbrio é sempre sutil e hoje sabemos que também somos parte ativa dessas tramas. Nossos modos de viver, incluindo as tecnologias que criamos ao longo do tempo e hoje nos moldam, alteram e modificam as tramas da coexistência. E nossa jornada já deixa marcas indeléveis no planeta, que devolve sinais de seu próprio desatino com o antropocentrismo.
O metabolismo do planeta se revela nas fricções entre sistemas, nos intervalos e nas passagens que tornam a vida possível. Há algo de profundamente líquido nesse processo.
Como se estivéssemos imersos em um mesmo meio — um fluido amniótico compartilhado, onde cada gesto reverbera. Aprender a perceber antes da ruptura e do colapso total é reconhecer que habitar o mundo é sempre interferir nele. De que forma, com qual escuta?
Esta exposição parte da ideia de que viver é participar de uma rede contínua de mutualismos. O corpo não termina na pele, a paisagem não termina no horizonte, respirar é participar dessa química comum. Pois a natureza não está mesmo fora de nós.”

CONTEXTO DA PESQUISA MOOLA
“Quando pensamos a vida como circulação, e não como formas isoladas, diferentes vozes convergem. Vladimir Vernadsky descreveu a Terra como um metabolismo em ação; James Lovelock viu nela um sistema capaz de se autorregular; Lynn Margulis mostrou que a evolução nasce de alianças entre espécies.
Bruno Latour lembrou que não há um ‘fora’ da Terra, enquanto Eduardo Viveiros de Castro e Deborah Danowski nos convidam a imaginar mundos onde natureza e humanidade não se opõem.
Quando Ailton Krenak fala da Terra como parente, traduz em experiência o que esses pensamentos sugerem: viver é estar implicado — uma trama de mutualismos onde cada respiração já é relação.”
NÚCLEO ARTÍSTICO DA EXPOSIÇÃO
Reunindo artistas de projeção internacional, trajetória histórica e forte inserção institucional, Mutualismos articula diferentes gerações e campos de produção contemporânea.
A presença de Francis Alÿs, referência global com obras em acervos como MoMA, Tate e Bienal de Veneza, estabelece um diálogo com a contribuição pioneira de Eder Santos na videoarte brasileira e com a pesquisa consistente de Raquel Kogan no universo da arte digital.
As explorações sobre som, tecnologia e sistemas emergem nas obras de Felipe Julián (Craca) e de Fernando Velázquez, em diálogo com a produção do coletivo MOOLA, que também apresenta obra própria na mostra.
No campo da espacialidade e da materialidade, destacam-se as pesquisas de André Komatsu e Albano Afonso, enquanto as dimensões poéticas e sensoriais se expandem nas obras de Monica Ventura e Sonia Guggisberg.
O conjunto evidencia um campo de produção que articula arte, tecnologia, espaço e percepção, conferindo à exposição densidade crítica e projeção no circuito especializado.
Ainda, de maneira incidental, os curadores resgatam o pensamento de Yoko Ono, John Cage e Bruce Lee em documentos, instruções e memes que complementam o statement curatorial.
Abertura com performance | 05/03, às 17h
O coletivo (se)cura humana realiza a ação performática inaugural Corpo-Árvore, estruturada como um manifesto sobre os processos de transformação urbana.
05 a 14 de março
Segunda a sexta: 10h às 19h | Sábado: 10h às 16h | Domingos: fechado
ESTAR Conceito | Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1080








