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Seu filho está preparado para falar sobre dinheiro? Educação financeira ganha espaço nas salas de aula

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Escolas de Brasília incorporam o tema ao currículo com projetos práticos, simulações de investimento e vivências reais para formar alunos mais conscientes e responsáveis

Dados recentes mostram que quase 8 em cada 10 famílias brasileiras (79,5%) estavam endividadas em janeiro de 2026, segundo a mais recente edição da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O cenário reforça a urgência de debater finanças desde a infância, tanto em casa quanto na escola. Apesar de ainda ser tabu em muitas famílias, o tema vem ganhando espaço em ambientes educacionais. Prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como tema transversal, a educação financeira passou a ser trabalhada de forma estruturada, estimulando desde cedo competências como planejamento, responsabilidade e tomada de decisão.

No Colégio Objetivo DF, a educação financeira integra o dia a dia dos alunos do Ensino Fundamental I, dentro de projetos interdisciplinares como o PIC e o PAC. “Não tratamos a educação financeira como um tema isolado, mas como uma formação de mentalidade”, explica a assessora pedagógica Priscilla Mazzetti. Os estudantes começam refletindo sobre valor, escolhas e responsabilidade, avançando gradualmente para conceitos de investimento, custo, formação de preço e lucro real. A progressão acompanha cada faixa etária: da Educação Infantil, com foco em atitudes e valores, até o Ensino Médio, com planejamento financeiro pessoal e visão de futuro.

Para aproximar teoria e prática, os alunos participam de projetos como ida ao mercado, elaborando listas, pesquisando preços e avaliando alternativas mais econômicas. “Eles passam a discutir economia com consciência, questionam desperdícios e aprendem a tomar decisões coletivas sobre o lucro do projeto”, afirma Priscilla.

Na Heavenly International School, a educação financeira também é importante, trabalhada tanto como disciplina eletiva no Fundamental II quanto de forma transversal em várias matérias, especialmente Matemática e História. “Ela prepara os alunos para compreender diferentes sistemas econômicos e navegar em um mundo globalizado e complexo. O investimento principal não é apenas financeiro, mas no desenvolvimento humano”, explica Marcello Lasneaux, diretor de Inteligência e Inovação da escola.

A professora Heloysa Barbosa, que ministra a disciplina uma vez por semana aos alunos do 8° e 9° ano, aposta em metodologias ativas e simulações. “No ano passado usamos a plataforma ‘Dimverso’, que simula o dia a dia de uma pessoa, com salário, trabalho, gastos e investimentos. Os alunos podem aplicar em CDB, fundos imobiliários, bitcoin ou renda variável, e acompanhar os resultados quase em tempo real”, detalha. Além disso, os estudantes aprendem sobre imposto de renda, juros do cartão de crédito, controle emocional diante de gastos e riscos como o vício em apostas.

“Durante as aulas, eles veem que cada escolha tem consequência e aprendem a priorizar demandas financeiras, planejar investimentos e compreender impostos e rendimento líquido”, completa Heloysa. Para Marcello, começar cedo faz diferença: “pesquisas mostram que o letramento financeiro precoce aumenta a percepção de riscos e oportunidades, refletindo em melhor planejamento e desempenho econômico na vida adulta.”

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