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Empresas criadas na pandemia que superaram a fase de sobrevivência agora enfrentam um novo desafio: crescer com consistência ou entrar em estagnação

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Casos como o da Aquamagic mostram que, após esse ponto, o crescimento passa a depender menos do modelo e mais da capacidade de execução, eficiência e ganho de produtividade na operação

Existe um momento na trajetória de uma empresa em que sobreviver deixa de ser o principal desafio. No Brasil, esse ponto costuma ocorrer por volta do quinto ano de operação. Segundo dados do Sebrae, cerca de 60% dos empreendimentos não chegam até esse estágio, o que transforma esse período em um dos principais filtros entre sobrevivência e consolidação. 

Para empresas criadas a partir de 2020, esse processo carrega um peso adicional. Elas nasceram em um ambiente de ruptura, marcado por incerteza econômica, mudanças abruptas no comportamento do consumidor e aceleração de tendências que já estavam em curso.  

Na prática, o que começa a se desenhar é uma bifurcação clara. Parte dessas empresas entra em um ciclo de estabilização, com crescimento limitado e maior pressão por margens. Outra parcela, menor, mas relevante, consegue transformar os primeiros anos em base para expansão, ganhando escala, eficiência e consistência operacional. 

Essa divisão reflete um movimento recorrente em ciclos empresariais: após a validação inicial, o diferencial competitivo deixa de estar na proposta do negócio e passa a depender da capacidade de execução. 

É nesse contexto que trajetórias como a da Aquamagic começam a ganhar relevância. 

Fundada em 2020, em meio ao auge da pandemia, a empresa estruturou uma rede de lavanderias self-service em um setor com baixo nível de diferenciação tecnológica. À época, modelos baseados em autosserviço e operação enxuta ganharam espaço, muitas vezes associados a soluções emergenciais. Passados quase seis anos, no entanto, os dados operacionais indicam um cenário diferente. 

A rede encerrou 2025 com faturamento de R$ 19,8 milhões, ante cerca de R$ 12 milhões em 2024, um avanço próximo de 60% em um único ano. A projeção para 2026 é atingir R$ 25 milhões, sustentada tanto pela abertura de novas unidades quanto pelo amadurecimento das operações já existentes. 

Mais relevante do que o crescimento agregado é o desempenho das unidades. A rede conta com cerca de 160 lojas em operação e mais de 200 unidades comercializadas, com faturamento que chega a ultrapassar a marca de R$ 30 mil em diversas unidades e margens que podem superar a casa dos 50%  

Em um setor onde equipamentos e estrutura tendem à padronização, esse tipo de resultado aponta para outro fator de diferenciação. 

 “Alguns de nossos concorrentes usam máquinas semelhantes às nossas. Mas, o que muda, é a gestão dos nossos franqueados e o direcionamento dado pela franqueadora”, afirma Diego Ventura, sócio da empresa. 

A leitura é consistente com o comportamento observado em outros segmentos considerados comoditizados. Quando o produto deixa de ser diferencial, a vantagem competitiva migra para aspectos menos visíveis e mais difíceis de replicar. Padronização de processos, controle de qualidade, manutenção consistente e experiência do cliente passam a ser determinantes para o desempenho. 

Esse ponto também ajuda a esclarecer um equívoco recorrente. Modelos automatizados são frequentemente associados à ideia de renda passiva. Na prática, o desempenho depende diretamente da qualidade da gestão. 

“Autoatendimento não significa ausência de gestão. O resultado depende diretamente de como a unidade é operada”, afirma Ventura. 

A empresa estruturou sua rede com foco na formação de franqueados capazes de atuar sobre a operação, com treinamento contínuo, padronização e acompanhamento recorrente das unidades. 

Ao mesmo tempo, o crescimento da rede se apoia em transformações mais amplas no comportamento urbano, aceleradas a partir de 2020 e consolidadas nos anos seguintes. A busca por conveniência, otimização do tempo e simplificação da rotina segue impulsionando a demanda por serviços que reduzem fricção no dia a dia. 

Relatórios recentes da McKinsey mostram que hábitos adquiridos durante a pandemia, como a preferência por autonomia e praticidade, permanecem relevantes. Um dos exemplos mais claros é o avanço do delivery na alimentação fora do lar, que passou de 9% em 2019 para 21% em 2024. 

No caso da Aquamagic, o que se observa é a organização dessas mudanças em um modelo replicável. 

“A pandemia acelerou algo que já era visível. O nosso trabalho foi transformar isso em sistema”, afirma Ventura. 

A consolidação do negócio também abre espaço para novos movimentos estratégicos. A empresa trabalha no desenvolvimento de uma nova frente voltada a serviços de conveniência, com o objetivo de capturar sinergias operacionais e ampliar sua atuação a partir da base já construída. 

Sem detalhar o projeto, a iniciativa segue a mesma lógica que sustentou o crescimento da rede: operações enxutas, automatizadas e com forte dependência de gestão na ponta. 

Esse movimento reflete uma transição comum a empresas que superam a fase inicial. Depois de validar o modelo, o crescimento passa a depender da capacidade de replicação, eficiência operacional e expansão estruturada.

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