FinançasInformações

Split payment deve pressionar caixa e acelerar reorganização financeira nas empresas

2 Mins read

Especialista em auditoria do Grupo BLB avalia que Modelo da Reforma Tributária deve elevar demanda por controle financeiro, tecnologia e governança 

O avanço da regulamentação da Reforma Tributária já começa a mobilizar empresas em torno de um dos pontos mais sensíveis do novo sistema: o split payment. O modelo, que prevê a separação automática do imposto no momento da transação financeira, deve alterar a dinâmica de circulação de recursos dentro das empresas e ampliar a pressão sobre fluxo de caixa, tecnologia e governança corporativa. Ainda em fase de testes, o mecanismo tem previsão de implementação facultativa nas operações B2B a partir de 2027. Na prática, parte do valor que hoje transita temporariamente pelo caixa das empresas passará a ser direcionada diretamente ao Fisco.

Segundo avaliação do Grupo BLB, empresa nacional de auditoria, consultoria e educação executiva, os impactos tendem a ser mais relevantes em setores de maior complexidade operacional e margens mais apertadas, como agronegócio, varejo, indústria, logística, distribuição e construção civil. O tema ganhou força nas últimas semanas após novos detalhamentos técnicos apresentados pelo governo federal, bancos e instituições de pagamento, incluindo discussões sobre integração via APIs (Interface de Programação de Aplicações), cronograma operacional e adaptação das instituições financeiras. 

Para Rodrigo Barbeti, CEO e sócio-fundador do Grupo BLB, o debate ainda está muito concentrado nas alíquotas da Reforma Tributária, enquanto os efeitos operacionais do novo modelo seguem subestimados. “O split payment cria uma mudança estrutural na dinâmica financeira das empresas. Parte do recurso que hoje circula temporariamente dentro da operação deixa de existir no caixa, o que exige revisão de processos financeiros, capital de giro, tecnologia e planejamento tributário”, afirma.

Na avaliação do especialista, temas como conciliação financeira, integração tecnológica e qualidade da informação fiscal devem ganhar protagonismo à medida que o modelo avance. Empresas com baixa automação, falhas de controle ou grande volume transacional tendem a enfrentar maior dificuldade de adaptação.

“O mercado ainda discute muito a alíquota da reforma, mas o maior impacto talvez esteja justamente na forma como o imposto será recolhido. O split payment altera o fluxo de entrada e saída de recursos, reduz a previsibilidade sobre o caixa e exige uma estrutura financeira mais integrada e eficiente para evitar desequilíbrios operacionais”, afirma Barbeti.

Related posts
Finanças

Desenrola Brasil 2: um passo relevante, mas não suficiente, para a inclusão financeira no país

2 Mins read
por Marcelo Marcílio* O lançamento do Desenrola Brasil 2 pelo Governo Federal reforça a urgência de enfrentar um dos principais entraves ao…
Informações

A conversa sobre dinheiro que famílias ricas brasileiras evitaram e 2026 está forçando

3 Mins read
Por Sara Chiarapa, planejadora financeira certificada CFP® e Consultora de Fortunas na MZM Wealth Management* Estamos entrando em uma das maiores mudanças…
Finanças

Crédito com prazo curto trava incorporadoras e abre espaço para FIDCs

3 Mins read
“Não se trata apenas de trocar uma fonte de dinheiro por outra, mas de ajustar a estrutura de capital ao ritmo real…