Tecnologia social do Instituto Dara mudou qualidade de vida de família em situação de vulnerabilidade socioeconômica; 2 milhões de pessoas foram diagnosticadas com autismo, mostram dados do IBGE
Sancionado em março último, o Dia do Orgulho Autista, 18 de junho, tem como objetivo celebrar, ao longo de todo o mês, a neurodiversidade, reforçando direitos, inclusão, visibilidade e combate à discriminação ao transtorno do espectro autista (TEA). A nova data ajuda também a evidenciar histórias de amor e inclusão e ações multidisciplinares como instrumentos que podem mudar a realidade de vida de famílias que convivem com o TEA, quadro que afeta 2 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o caso de Roberta Vanessa de Araújo, 46 anos, que vive em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Mãe solo do portador de TEA Lucca Araujo Duarte, cinco anos, Roberta tem vivenciado um cenário positivo em família após ingressar no Instituto Dara há dez meses.
Fora do mercado de trabalho por conta dos cuidados especiais e diários dirigidos a Lucca, a mãe conta que a tecnologia social que compõe projetos ligados à nutrição do Instituto Dara, organização da sociedade civil dedicada a combater a pobreza de forma sistêmica e integrada apoiando famílias em contextos de alta vulnerabilidade, transformou o dia a dia da família e, principalmente, de Lucca, que, até então, tinha dificuldades de alimentação.
“O instituto provocou uma transformação estrutural na minha vida familiar, sobretudo na condição do espectro autista do meu filho, autista nível três de suporte não verbal. Recebi informações, direcionamentos, apoio e assistência. Os projetos que mais causam impacto para nós são relacionados à parte de nutrição, pois meu filho é seletivo severo e estamos sempre trabalhando em conjunto para minimizar os danos dessa característica nele”, conta.
O relato da mãe atípica dialoga não só com o Dia do Orgulho Autista, mas também com dados do Relatório de Impacto 2025 do Instituto Dara, medido por meio da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), metodologia oficial utilizada pelo IBGE e pelo Governo Federal. A área de nutrição foi uma das protagonistas dos resultados alcançados que, em 2025, totalizaram 1.743 atendimentos nutricionais, distribuídos 1.907 latas de fórmulas infantis e investidos R$ 684,6 mil em segurança alimentar.
Acolhimento como ferramenta crucial
Ao ingressar no Instituto Dara, Roberta ganhou acesso à multiplicidade de serviços oferecida pela tecnologia social pioneira Método-Dara, sobretudo na esfera do acolhimento. A metodologia criada pela médica e presidente da instituição, Vera Cordeiro, atua simultaneamente em saúde, educação, geração de renda, moradia e cidadania. A proposta parte do princípio de que a pobreza é um fenômeno complexo e que a superação da fome depende também do fortalecimento de outras áreas da vida familiar.
“O instituto contribui enormemente com o nosso acolhimento, em especial o meu, tendo acesso à psicologia de qualidade e garantindo que eu seja ouvida e minhas opiniões consideradas, o que é muito importante para uma mãe atípica. Também na oferta de cursos para obtermos uma renda extra e nas atividades e palestras em conjunto com as outras colegas em que trocamos experiências e apoiamos umas às outras. Somando a tudo isso a orientação aos direitos de pessoas autistas, como auxílios, gratuidades e tratamentos”, compartilha Roberta.
Reativação de sonhos
Roberta ressalta ainda que ingressar no Dara a possibilitou sonhar com uma melhor qualidade de vida pessoal e profissional, algo que projeta para outras famílias que convivem com o TEA.
“Mesmo com toda a carga que o autismo carrega, integrar o Dara nos encoraja a buscar nosso bem-estar, a saúde mental e a capacitação para uma nova fonte de renda. Meu maior sonho é que todas as famílias que tenham filhos com espectro autista, sem exceção, possam ter profissionais capacitados e terapias de qualidade para o desenvolvimento de cada criança”, diz.
Como parte do Método-Dara, Roberta ganhou acesso à geração de renda, medida crucial no atual contexto fora do mercado de trabalho e como chefe de família de dois filhos.
“Com a assistência do cartão de alimentação mensalmente, por eu ser mãe solo, mediadora integral na escola do meu filho, fica impossível atuar no mercado de trabalho. Por isso, não possuo renda fixa, então, essa ajuda do Dara é muito mais que bem-vinda”, diz a mãe atípica, que complementa: “Meu conselho a outras crianças com TEA é que elas saibam que criança é sempre criança, mas algumas têm um jeitinho diferente de pensar, que mantenham o coração sempre aberto a elas”.
Método-Dara: atuação contínua e integrada
O Dara trabalha com uma tecnologia social pioneira criada para combater a pobreza e promover a saúde e o desenvolvimento humano, o Método-Dara. Sua filosofia central é que a pobreza é multidimensional e, portanto, a solução deve ser multidisciplinar e simultânea: a família só alcança a autonomia e a saída da vulnerabilidade se todos os seus vetores forem atacados ao mesmo tempo – saúde, educação, moradia, geração de renda e cidadania.
O processo do Método-Dara dura em média dois anos, em que as famílias deixam de ser beneficiárias passivas para se tornarem protagonistas do seu próprio desenvolvimento. Seu impacto é comprovado cientificamente por avaliações como a da Universidade de Georgetown, que indicou redução de 86% nas reinternações hospitalares de crianças e a duplicação da renda familiar em um período de três a cinco anos.
Os resultados contribuíram ainda para que o Instituto Dara recebesse importantes reconhecimentos em 2025, entre eles o título de uma das Melhores ONGs do Brasil, destaque no Prêmio Humanizar a Saúde.








