Tecnologia

Ranking da plataforma Evident mostra que bancos brasileiros evitam armadilha do hype da IA e sabem que tecnologia não substitui trabalho humano

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Para executiva de estruturação de operações tecnológico-financeiras, o resultado do estudo mostra que o Brasil está usando a tecnologia para soluções para problemas reais.

Enquanto gigantes globais como a IBM enfrentaram prejuízos ao apostar na substituição da força de trabalho por inteligência artificial, os bancos brasileiros seguem em direção oposta ao aplicarem IA para resolver dores reais sem abrir mão do papel humano. A análise é da executiva Jéssica Mota, feita a partir dos resultados do relatório Evident AI Index | Banks LATAM, publicado pela plataforma Evident Insights, que posiciona os bancos brasileiros entre os líderes mundiais em maturidade no uso de inteligência artificial.

Nubank, Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil concentram quase metade dos casos de uso de IA com resultados reportados na região, evidenciando que o setor financeiro nacional está transformando tecnologia em soluções reais. ”A postura pragmática das instituições nacionais é um diferencial competitivo que coloca o Brasil na vanguarda mundial da tecnologia financeira”, diz Jéssica Mota, Diretora de Estruturação de operações financeiras com o uso de tecnologia, especialista em mercado de capitais e fintechs.

Para a executiva, o fato de o BACEN (Banco Central) ter uma postura muito tecnológica, com iniciativas como Pix, Drex e Open Finance, ajuda nesse processo. “Os bancos brasileiros podem aproveitar um terreno já preparado para desenvolver suas próprias tecnologias e explorar novas soluções”, diz.

Segundo Jéssica, o protagonismo do Nubank não surpreende, já que a fintech revolucionou o relacionamento dos brasileiros com o sistema bancário. “O Nubank foca em concessão de crédito, seu ponto de partida. Já Itaú e Bradesco concentram esforços em atendimento ao cliente, refletindo seus modelos ainda muito voltados para agência física e relacionamento com gerentes”, explica.

O recente caso da IBM, que suspendeu vagas para priorizar o desenvolvimento de IA e acabou enfrentando prejuízos por não considerar o papel da força de trabalho humana, é um paralelo ao ranking. “Os bancos brasileiros estão indo em sentido oposto da gigante da tecnologia, gerando soluções para suas dores reais, sem levantar a bandeira de substituir o ser humano. Eles entendem que só agentes de IA não resolvem tudo e que o contexto humano continua essencial para problemas complexos e novos desafios”, afirma Mota.

O relatório reforça que a combinação de escala, infraestrutura digital avançada e densidade de talentos coloca o Brasil em posição de destaque global. Para Jéssica, essa abordagem pragmática é o que diferencia os bancos nacionais: “Eles não estão copiando tendências, mas aplicando tecnologia onde realmente faz sentido, garantindo eficiência sem perder a dimensão humana.”

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