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Uso de IAs não autorizadas cresce na saúde: onde termina o algoritmo e começa o fator humano?

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Especialistas alertam que ferramentas de inteligência artificial podem facilitar o acesso à informação, mas exigem cautela quando envolvem decisões sobre diagnóstico, exames e tratamentos

Perguntar à inteligência artificial o que significa um sintoma, interpretar um exame ou até buscar orientação sobre um tratamento já faz parte da rotina de muitos brasileiros. A praticidade, no entanto, vem acompanhada de um desafio: nem todas as plataformas utilizadas para esse fim foram desenvolvidas com critérios clínicos, supervisão médica ou mecanismos de proteção para informações pessoais de saúde.

Para especialistas, o maior risco não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. Quando uma ferramenta oferece respostas sem considerar o histórico do paciente, doenças pré-existentes ou sinais de gravidade, ela pode transmitir uma falsa sensação de segurança e atrasar a procura por atendimento médico.

“São inúmeras as diferenças, mas podemos pontuar que uma IA genérica não entende contexto clínico, há um grande risco de fornecer respostas amplas e vagas, o que impacta diretamente na segurança do paciente”, conta o Dr. Hendrick Hoyler, um dos idealizadores e parte da equipe médica da MOMA.I, healthtech especializada no uso de inteligência artificial aplicada à saúde. Segundo o médico, o principal desafio não é a tecnologia em si, mas a falta de critérios clínicos em ferramentas de uso geral.” A MOMA.I foi construída para organizar condutas, apoiar decisões, estruturar informações e operar dentro dos limites que a prática médica exige. Com protocolos oficiais, filtros técnicos e contexto clínico”, explica Hoyler.

Estudos mostram que a maioria das pessoas ainda imagina IA na saúde como um chatbot que responde perguntas, como acontece com o ChatGPT, Gemini e Grok. Mas a diferença começa quando a tecnologia passa a acompanhar a lógica real do histórico do paciente, permitindo acompanhar sintomas, orientações e interações ao longo do tempo. “A discussão sobre inteligência artificial na saúde deixou de ser uma projeção futura. Hoje, o desafio é garantir que essas ferramentas sejam utilizadas com responsabilidade clínica e foco na experiência do paciente. Nosso objetivo é ampliar o acesso à orientação em saúde sem abrir mão da supervisão médica e da segurança assistencial”, esclarece Dr. Eduardo Vilela, cofundador da MOMA.I.

A partir dos dados coletados, o sistema realiza uma avaliação de risco e direciona o usuário conforme a necessidade identificada. Dependendo da avaliação, a recomendação pode envolver medidas de autocuidado, acompanhamento médico programado ou a busca imediata por atendimento presencial. Quando necessário, profissionais de saúde realizam a validação da triagem e podem emitir prescrições e solicitações de exames diretamente pela plataforma.

Para Hoyler, o futuro da saúde digital não depende de substituir o médico pela tecnologia, mas de utilizar a inteligência artificial de forma ética, segura e baseada em evidências. “O algoritmo pode ampliar o acesso à informação e tornar processos mais eficientes, mas o fator humano continua indispensável para interpretar cada caso, tomar decisões e garantir a segurança do paciente. A tecnologia deve ser uma aliada da medicina, nunca um substituto do cuidado”, conclui.

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