Informações

A validade dos alimentos mudou. O consumidor continua preso aos conceitos dos anos 1990

3 Mins read

Enquanto a indústria passou a conservar alimentos por meio de tecnologias como esterilização comercial e embalagens de alta barreira, boa parte dos consumidores ainda associa validade longa ao uso de conservantes

Durante décadas, a lógica era simples: quanto maior a validade de um alimento, maior a chance de ele conter conservantes. A evolução da indústria de alimentos, porém, mudou essa relação. Hoje, diferentes tecnologias permitem ampliar a vida útil de diversos produtos utilizando processos físicos, e não químicos, sem que essa transformação tenha sido plenamente compreendida pelos consumidores.

A discussão ganha relevância em um momento em que reduzir perdas de alimentos se tornou um desafio mundial. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 13% dos alimentos produzidos no mundo são perdidos entre a colheita e o varejo, e uma das estratégias apontadas para enfrentar esse cenário é justamente o desenvolvimento de tecnologias capazes de ampliar a vida útil dos produtos de forma segura.

Entre essas tecnologias está a esterilização comercial, processo utilizado há décadas pela indústria de alimentos e que vem ganhando espaço em categorias nas quais o consumidor ainda demonstra maior desconfiança, como a alimentação infantil.

“O consumidor costuma associar validade longa à presença de conservantes, mas essa relação nem sempre existe. Hoje, a tecnologia permite conservar determinados alimentos por meio do controle do processo produtivo. A combinação entre tratamento térmico e embalagem hermética elimina os microrganismos responsáveis pela deterioração e impede que o alimento seja recontaminado até o momento da abertura”, explica Gisele de Carvalho Döll, Head de Pesquisa & Desenvolvimento da Papapá.

Quando a tecnologia substitui a química

O princípio é relativamente simples. Depois de preparados, os alimentos são acondicionados em embalagens hermeticamente fechadas e passam por um processo de esterilização comercial em autoclaves industriais, onde são submetidos a temperaturas superiores a 121°C sob condições rigorosamente controladas.

Ao contrário do que muitos imaginam, a longa validade não é resultado da adição de conservantes, mas da eliminação dos microrganismos capazes de provocar deterioração, combinada com embalagens de alta barreira que impedem a entrada de oxigênio e novos contaminantes.

Isso não significa que qualquer alimento de longa validade seja automaticamente mais saudável. A qualidade nutricional continua dependendo da formulação e dos ingredientes utilizados. Da mesma forma, alimentos preparados apenas com ingredientes naturais também podem alcançar longos períodos de conservação quando submetidos às tecnologias adequadas.

Segundo Gisele, algumas vitaminas mais sensíveis ao calor, como a vitamina C e parte das vitaminas do complexo B, podem sofrer redução durante o processamento térmico. Em contrapartida, proteínas, carboidratos, gorduras, fibras e minerais permanecem amplamente preservados.

“O desafio é encontrar o equilíbrio entre segurança microbiológica e preservação nutricional. Todo o processo é validado para utilizar exatamente o tempo e a temperatura necessários para garantir a segurança do alimento sem comprometer suas principais características nutricionais”, afirma.

Uma transformação que chega à alimentação infantil

A mudança também ganha espaço em um segmento historicamente marcado pela preocupação dos pais com ingredientes e aditivos: a alimentação infantil.

Na Papapá, referência nacional em papinhas naturais, a tecnologia é aplicada na linha de sopinhas. Preparadas apenas com ingredientes naturais, a técnica permite o armazenamento em temperatura ambiente por até 12 meses sem adição de conservantes químicos.

Para Leonardo Afonso, cofundador e CEO da Papapá, a incorporação desse tipo de tecnologia faz parte da evolução natural da indústria de alimentos. “Nosso compromisso sempre foi buscar as melhores tecnologias disponíveis para entregar alimentos cada vez mais seguros, práticos e nutritivos. A inovação não está apenas nos ingredientes, mas também nos processos que permitem preservar a qualidade dos alimentos e oferecer mais tranquilidade às famílias”, afirma.

Além da esterilização comercial, cada lote passa por uma sequência de controles que inclui validação do processo térmico, inspeção da integridade das embalagens, análises microbiológicas, testes físico-químicos e rastreabilidade completa da produção.

Para Gisele, a tendência é que tecnologias desse tipo se tornem cada vez mais presentes à medida que consumidores busquem produtos com listas de ingredientes mais simples, sem abrir mão da praticidade. “A indústria vem evoluindo rapidamente nos processos de conservação. O desafio agora é fazer com que o consumidor também compreenda que uma validade maior nem sempre significa mais química. Em muitos casos, significa justamente mais tecnologia”.

Related posts
Informações

Senior amplia receita recorrente em 24,8% no 2T26 e acelera estratégia de crescimento com IA e expansão do ecossistema

5 Mins read
Receita recorrente representou 82% da receita bruta da companhia e o ARR superou R$ 1,3 bilhão, em trimestre marcado por avanços em…
Informações

Solução de acesso viabiliza recuperação estrutural do Tribunal de Contas do Município de São Paulo

1 Mins read
Prédio é um marco do Brutalismo no país; projeto combina andaimes multidirecionais, plataformas modulares e elevatórias Referência da arquitetura brutalista brasileira, o…
Informações

Alfama avança na internacionalização e prepara sua primeira fábrica na Europa

2 Mins read
Empresa investe €13,5 milhões em unidade industrial em Portugal, amplia produção no Brasil e estuda abertura de capital como parte da estratégia…