Empresa investe €13,5 milhões em unidade industrial em Portugal, amplia produção no Brasil e estuda abertura de capital como parte da estratégia de crescimento
A Alfama Foods dá um passo decisivo em sua estratégia de internacionalização com a implantação de sua primeira fábrica na Europa. A unidade será construída em Mação, no distrito de Santarém, em Portugal, e integra um plano de expansão que combina o avanço internacional, o aumento da capacidade produtiva no Brasil e o fortalecimento da atuação no mercado de food service. A estratégia também prevê a conclusão do terceiro ano de balanços auditados, o registro na categoria B da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e, futuramente, uma abertura de capital no mercado brasileiro.
O projeto prevê investimentos de 13,5 milhões de euros, cerca de R$85 milhões, na instalação da nova unidade industrial. A companhia aguarda a decisão sobre um financiamento ligado ao programa PT 2030, que poderá subsidiar até 50% do investimento. Caso a aprovação seja confirmada, as obras deverão começar no primeiro trimestre de 2027, com previsão de início das operações em 2028.
“O projeto em Portugal representa um passo importante na estratégia de internacionalização da empresa. A expectativa é construir uma fábrica com um nível de automação superior, aproveitando as oportunidades criadas pelo programa de incentivo”, afirma Bruno Sonda André, CEO da Alfama Foods.
Segundo o executivo, a localização da unidade permitirá atender não apenas o mercado português, mas também outros países da União Europeia. “Esse tipo de habilitação permite vender para todo o bloco europeu, ampliando significativamente o mercado potencial da operação”, diz.
No Brasil, a companhia mantém duas operações industriais: uma em Cascavel (PR), dedicada às proteínas termoprocessadas, e outra em Louveira (SP), voltada aos produtos Porcionados in natura. A unidade paulista iniciou as operações neste ano com capacidade instalada de 1,2 mil toneladas por mês e deverá ampliar gradualmente sua produção. De acordo com a empresa, quando superar o patamar de 200 toneladas mensais, a fábrica deverá responder por cerca de 22% da receita da companhia.
A expansão da produção de porcionados acompanha mudanças observadas no mercado de alimentação fora do lar. “Existe uma escassez muito grande de mão de obra nas cozinhas profissionais, e isso acaba impulsionando a procura por produtos padronizados, que aumentam a produtividade e simplificam a operação”, afirma Bruno.
Nos últimos anos, a Alfama também alterou seu perfil comercial. Se no início da operação as redes de alimentação concentravam a maior parte das vendas, atualmente cerca de 85% do faturamento está ligado ao atendimento realizado por distribuidores, modelo que amplia a capilaridade da empresa no mercado brasileiro. Hoje, a companhia opera por meio de aproximadamente 110 distribuidores, alcançando cerca de 30 mil clientes em todo o país.
Para sustentar o plano de crescimento — que projeta faturamento de R$1,4 bilhão até 2030 —, a empresa também prepara sua estrutura financeira para acessar novos investidores. “Estamos concluindo o terceiro ano de balanços auditados e pretendemos avançar para o registro na categoria B da CVM. Isso abre novas possibilidades de relacionamento com o mercado de capitais e faz parte da construção da companhia para os próximos anos”, afirma o CEO.
Segundo Bruno, o crescimento projetado continuará concentrado no food service, segmento que seguirá como principal foco da companhia mesmo com o avanço da internacionalização. “Nosso core business permanecerá sendo o food service. Podemos desenvolver novos subsegmentos, mas o objetivo é continuar crescendo dentro desse mercado, que é onde construímos nossa operação e onde enxergamos as maiores oportunidades de longo prazo”, conclui.








