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Sobrecarga, cultura da urgência, hiperconectividade e relações de trabalho entram no debate sobre burnout no CONARH 2026

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Psicoterapeuta Daniele Caetano discutiu como fatores individuais, sociais e organizacionais podem contribuir para o adoecimento e defendeu um olhar mais amplo sobre a saúde emocional no ambiente profissional

Como o ambiente profissional pode contribuir para o esgotamento emocional e quais responsabilidades cabem às organizações nesse processo? Essas foram algumas das questões levantadas pela psicoterapeuta Daniele Caetano durante sua participação no CONARH 2026, realizado em São Paulo. Na palestra “Burnout como problema estrutural, não individual”, apresentada no dia 20 de agosto, a especialista propôs ampliar a compreensão sobre o adoecimento e considerar, além das características pessoais, aspectos presentes na sociedade e nas próprias empresas.

A reflexão partiu da ideia de que o burnout não deve ser associado exclusivamente à capacidade de cada profissional de lidar com pressão, cobranças e desafios. Para Daniele, é necessário observar também a maneira como as atividades são organizadas, as relações estabelecidas e as expectativas que recaem sobre os trabalhadores.

“Discutir burnout exige olhar para além da resiliência individual. A forma como o trabalho é organizado, as relações de poder, o grau de autonomia e as expectativas de desempenho também fazem parte da equação.”

Durante a apresentação, a psicoterapeuta estruturou o tema em três camadas: indivíduo, sociedade e empresa. Na primeira estão aspectos como predisposição genética, momento de vida, personalidade, temperamento, hábitos e estilo de vida. Na dimensão social, foram abordadas a hiperconectividade, o excesso de estímulos e comparações, a mistura entre vida pessoal e profissional, as transformações provocadas pela tecnologia e pela inteligência artificial e a cultura da urgência.

No âmbito corporativo, a atenção se voltou para comunicação, reconhecimento, clareza de funções, equilíbrio entre demandas e recursos, qualidade dos relacionamentos entre liderança e equipes, carga e ritmo de trabalho. A abordagem mostrou que, embora o cuidado individual seja importante para quem já enfrenta um quadro de esgotamento, a prevenção também passa pelas condições oferecidas no próprio ambiente profissional.

“Se estamos oferecendo soluções individuais para um problema estrutural, precisamos ampliar a pergunta: o que está fazendo tantas pessoas adoecerem?”

A especialista também levou para o palco uma reflexão sobre a relação contemporânea com o trabalho ao questionar em que momento a labuta deixou de sustentar a vida e passou a consumir a vida. A provocação esteve relacionada às mudanças nas relações profissionais e às exigências que fazem parte da realidade de muitos trabalhadores.

Outro ponto abordado foi a NR-1, apresentada por Daniele como uma porta de entrada para discutir transformações no mundo do trabalho. A partir desse cenário, a especialista destacou a importância de ampliar a responsabilidade pela saúde emocional, envolvendo não apenas o indivíduo, mas também as estruturas e relações presentes nas organizações.

A participação no CONARH 2026 reforçou a proposta de levar a discussão sobre burnout para além da ideia de resiliência individual. Ao reunir aspectos pessoais, sociais e corporativos, a abordagem busca contribuir para uma compreensão mais ampla do fenômeno e para a construção de ambientes profissionais mais saudáveis.

“Nossos pais nos ensinaram a labutar. Nós estamos aprendendo a transformar o trabalho. E que possamos deixar para nossos filhos o legado de que o trabalho pode construir uma vida, sem precisar consumir a vida.”

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