Por Wagner Camargo, Chief Operating Officer (COO) da EVOX
Nas reuniões de conselho diretivo das empresas que dependem de sistemas corporativos para sustentar a estratégia de crescimento, a migração para a nuvem pública é pauta obrigatória. É uma iniciativa que impacta diretamente as definições sobre processos, dados, integrações, custos e, sobretudo, pessoas.
Porém, a realidade operacional frequentemente revela o erro de tratar a jornada para a nuvem como uma iniciativa isolada de atualização de infraestrutura.
Essa abordagem concentra o esforço na tecnologia, mas deixa em segundo plano o ponto mais crítico para o Retorno sobre o Investimento (ROI): o que é possível melhorar com a migração e como essa melhoria será mensurada.
O ponto de partida para a migração deve estar inserido na estratégia de negócio
Segundo pesquisa global da McKinsey com mais de 400 executivos, 38% dos entrevistados reportaram atrasos superiores a três meses nas migrações, além de gastos, em média, 14% acima do planejado.
Esse conflito financeiro gera imprecisões nas definições estratégicas prévias. Por isso, antes de discutir arquitetura ou cronograma, a liderança precisa estabelecer quais objetivos podem ser transformados em indicadores-chaves de desempenho (KPIs), tais como:
- Redução do custo operacional;
- Maior velocidade na execução de processos e no fechamento financeiro;
- Melhoria da disponibilidade;
- Capacidade de lançar funcionalidades mais rapidamente.
A nuvem pública amplia capacidade e flexibilidade das operações, mas não substitui as decisões humanas sobre qualidade, propriedade e regras de uso das informações. Os KPIs definidos antes da migração criam uma linha de base para comparar o cenário anterior com o posterior, permitindo que o investimento seja avaliado sob critérios bem definidos.
O mesmo raciocínio se aplica às extensões, integrações e customizações. Cada etapa da migração demanda uma análise detalhada dos fluxos operacionais para decidir o que deve ser mantido, quais customizações históricas devem ser eliminadas e quais rotinas passarão por uma reestruturação integral para adaptação às melhores práticas do mercado internacional.
Nesse contexto, o papel da plataforma SAP é crucial para os resultados esperados, e não apenas para o cumprimento de atividades técnicas. É um cuidado que muda a execução do projeto e permite a efetividade para os negócios.
A necessidade da governança para mitigar riscos operacionais
Outro fator determinante é a governança. É obrigatório ter uma estrutura clara de decisão, responsabilidades, prioridades e critérios de acompanhamento de riscos.
O modelo de governança adequado estabelece alinhamento contínuo entre área de tecnologia e área de negócio, de modo a formalizar a migração para a nuvem pública. Os respectivos gestores têm a responsabilidade de identificar os grupos mais impactados, preparar as lideranças, definir usuários-chave e acompanhar a adoção do SAP.
Mas devemos reforçar que a conclusão da migração não representa o encerramento do projeto. Esse é apenas um ponto de partida para a empresa acompanhar se os indicadores definidos inicialmente estão evoluindo em conformidade com a legislação.
Isso significa medir custos, produtividade, disponibilidade, desempenho dos processos, qualidade dos dados, nível de adoção pelos usuários e outros fatores diretamente relacionados aos objetivos. Também significa revisar periodicamente a relação entre custo e eficiência operacional.
Para a liderança, o ponto que merece mais atenção é o cálculo final, que deve ser focado no valor que a empresa passou a capturar depois da mudança. Uma migração para a nuvem pública precisa ser, ao mesmo tempo, tecnicamente impecável e entregar muito valor em resultado de negócios.
Esse é o cenário ideal para concretizar a transformação digital pretendida, sem haver cobrança indesejada por custo elevado ou por atrasos decorrentes da falta de governança no processo.








