Por André M. Jativa, CEO da Diklatex
Há números que ajudam a dimensionar o momento da indústria têxtil brasileira. No primeiro semestre de 2026, as importações de vestuário cresceram mais de 50%, enquanto as vendas do varejo recuaram cerca de 1,5% nos primeiros quatro meses do ano e a produção industrial caiu 6,5%, segundo dados apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Os indicadores exigem atenção, mas também movimento.
Recentemente, recebemos na Diklatex o presidente da Abit, Fernando Pimentel, para uma conversa sobre o cenário da indústria brasileira, seus desafios e, principalmente, os caminhos possíveis para ampliar a competitividade. Mais do que uma agenda institucional, encontros como esse mostram algo que considero essencial neste momento: a indústria precisa estar mais conectada para responder mais rápido às transformações do mercado.
Não existe competitividade isolada em uma cadeia como a têxtil. Antes de uma roupa chegar ao consumidor, há fibras, fios, tecidos, beneficiamentos, confecções, marcas, distribuição e varejo. Quando uma dessas etapas perde capacidade de investir, inovar ou competir, o efeito avança sobre as demais. O contrário também acontece: quando um elo evolui, novas possibilidades podem surgir para toda a cadeia. É por isso que o debate não pode se limitar a preço.
Eficiência e custos competitivos são fundamentais, mas uma indústria como a brasileira precisa avançar também em outros campos: integração, tecnologia e geração de valor.
Na prática, isso significa aproximar fornecedores, indústrias, confecções e marcas para que a inovação circule com mais velocidade. Um novo fio pode permitir um tecido com melhor desempenho. Uma tecnologia aplicada ao acabamento pode ampliar conforto ou durabilidade.
Uma necessidade identificada por uma marca pode gerar uma solução que ainda não existia. É assim que o conhecimento se transforma em produto e o produto se transforma em diferencial competitivo.
Na Diklatex, vivemos esse processo especialmente no desenvolvimento de tecidos técnicos e de alta performance. Hoje, as demandas vão muito além da aparência. Envolvem respirabilidade, elasticidade, conforto térmico, gerenciamento de umidade, resistência, rastreabilidade, eficiência produtiva e performance para o consumidor.
Esses atributos não surgem em uma etapa isolada. São resultado da combinação entre matéria-prima, tecnologia, pesquisa, equipamentos, conhecimento técnico e diálogo com quem está antes e depois de nós na cadeia.
O mesmo vale para sustentabilidade. As decisões tomadas no início do processo influenciam consumo de recursos, eficiência, durabilidade e as possibilidades futuras de reaproveitamento de um produto. Mais uma vez, a resposta depende de integração. Por isso, acredito que a discussão sobre o futuro da indústria brasileira precisa superar a lógica de que cada empresa ou segmento resolverá sozinho os seus desafios.
A visita de Fernando Pimentel reforçou essa percepção. Entidades precisam ouvir quem produz. Empresas precisam compreender melhor as transformações do mercado. Fornecedores e clientes precisam desenvolver soluções em conjunto. E o setor precisa transformar conhecimento disperso em capacidade coletiva de competir.
O Brasil tem ativos importantes para isso: capacidade produtiva, conhecimento técnico, profissionais qualificados, centros de pesquisa e empresas que já investem em inovação.
O desafio é conectar melhor essas competências.
Uma cadeia mais integrada inova com mais velocidade. A tecnologia aumenta produtividade e abre espaço para novos produtos. E o valor agregado permite competir por aquilo que conseguimos desenvolver, não apenas pelo menor preço.
Quando promovemos inovação e trazemos tecnologia de classe mundial, damos à indústria têxtil brasileira massa crítica: mais atenção, mais histórias sendo criadas e contadas, isso nos permite defender a indústria nacional diante do avanço crescente dos produtos importados.
Na Diklatex, sentimos orgulho e responsabilidade em construir e contar uma história de competitividade, atuando ao lado de marcas que exigem produtos de nível mundial, participando dos principais eventos esportivos do planeta e lançando tecnologias inéditas, tanto no cenário nacional quanto global. Mostrando que movimentos conjuntos de empresários, entidades e empresas fazem a cadeia inteira ganhar condições de avançar.








