Acidentes de trabalho podem elevar encargos previdenciários e comprometer a rentabilidade; com o avanço do eSocial, gestão de riscos e qualidade das informações ganham importância para as empresas.
Enquanto as empresas concentram esforços na adaptação à Reforma Tributária, a gestão da Saúde e Segurança do Trabalho (SST) também merece atenção quando o assunto é eficiência financeira. Embora a reforma não altere diretamente as regras do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e do Risco Ambiental do Trabalho (RAT), os indicadores de acidentes e afastamentos podem influenciar os encargos previdenciários e, consequentemente, os custos operacionais.
Segundo Leonel Fernandes, consultor de eSocial da consultoria RZ3, a gestão de risco garante, além dos diretos e engajamento do colaborador, menos despesas e segurança fiscal à empresa. “Melhor gestão de SST deve ser encarada como investimento pela empresa, que terá menos afastamento dos colaboradores, mais produtividade e menos gastos”, afirma.
“Estudo do Ministério do Trabalho e Emprego mostra que o Brasil registrou, em 2025, recorde de acidentes e mortes no trabalho. Foram 806.011 acidentes e 3.644 óbitos no ano. E estimativas do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho apontam que os custos com afastamento por acidente e saúde ocupacional chegam a 4% do PIB do país por ano, incluindo gastos previdenciários, médicos, perda de produtividade e impacto nas empresas”, aponta Leonel.
Acidentes de trabalho não geram apenas afastamentos. Empresas com histórico desfavorável de acidentes, Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs) e benefícios previdenciários podem ter aumento do FAP, índice que pode elevar a alíquota do RAT e, assim, os encargos incidentes sobre a folha de pagamento. Na prática, falhas na prevenção e na gestão dos riscos ocupacionais podem representar custos adicionais que passam despercebidos no planejamento financeiro.
Com o eSocial, as informações de Saúde e Segurança do Trabalho estão cada vez mais integradas aos sistemas digitais do governo, ampliando as possibilidades de cruzamento de dados e acompanhamento dos registros. Nesse cenário, manter informações consistentes, monitorar indicadores e garantir o cumprimento das obrigações legais são medidas importantes para a governança empresarial.
FAP e RAT: sua empresa pode estar pagando mais sem perceber
“Em um ambiente de maior pressão sobre os custos, as empresas precisam olhar para a Segurança do Trabalho também sob a perspectiva da gestão financeira. Prevenir acidentes significa, antes de tudo, proteger vidas, mas também pode contribuir para reduzir afastamentos, evitar passivos e controlar os encargos que pesam sobre a operação”, afirma o especialista.
Para além do cumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs), a gestão de SST exige planejamento, acompanhamento contínuo e integração entre as áreas de recursos humanos, departamento pessoal e segurança do trabalho. A prevenção, aliada à qualidade das informações enviadas ao eSocial, ajuda a reduzir riscos ocupacionais e trabalhistas e a identificar oportunidades de melhoria nos processos.
“Segurança do Trabalho não deve ser vista apenas como uma obrigação legal. Quando existe planejamento, acompanhamento de indicadores e investimento em prevenção, a empresa ganha melhores condições para proteger seus profissionais e tomar decisões mais conscientes sobre seus custos e riscos”, conclui Leonel.








