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A corrida pela vantagem competitiva começa antes de o mercado perceber que ela começou

Créditos da foto: Divulgação

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Monitorar concorrentes, tendências e mudanças de narrativa pela mídia pode ajudar empresas a identificar oportunidades e riscos antes que eles se tornem evidentes para todo o mercado.

A vantagem competitiva não é um ativo permanente. Ela precisa ser acompanhada, protegida e constantemente reavaliada à medida que concorrentes mudam, novos participantes entram no mercado e as necessidades dos consumidores se transformam.

Uma pesquisa global da McKinsey com 1.257 executivos e gestores, realizada em 94 países, mostra que a maioria das organizações ainda não acompanha de maneira sistemática a própria vantagem competitiva. Entre as empresas de melhor desempenho, porém, a probabilidade de haver alinhamento sobre quais são suas vantagens competitivas é mais de 2,5 vezes maior do que entre as demais. Esses mesmos grupos também apresentam maior tendência a acompanhar essa vantagem no nível de mercado. A informação sobre o ambiente externo passa, portanto, a ter valor estratégico.

Parte dessa informação está disponível diariamente na imprensa. Notícias sobre concorrentes, novos investimentos, mudanças regulatórias, lançamento de produtos, contratação de executivos e movimentos de mercado formam um conjunto de sinais que pode ser acompanhado de maneira estruturada.

“O concorrente não precisa anunciar uma mudança de estratégia para que ela comece a aparecer na mídia. Às vezes, os sinais estão distribuídos em pequenas notícias, entrevistas, eventos, movimentações de executivos e temas que começam a ganhar espaço”, afirma Cassiano De Bernardis, diretor da Sinopress.

O avanço da inteligência artificial tornou esse acompanhamento ainda mais abrangente. Ferramentas capazes de processar grandes volumes de informação permitem identificar recorrências e relações que seriam difíceis de perceber manualmente.

A própria McKinsey aponta que inteligência de mercado e inteligência competitiva estão entre os usos de IA que avançam mais rapidamente em determinadas áreas corporativas. Em levantamento recente sobre aplicações de IA em atividades comerciais, market and competitive intelligence apareceu como uma das frentes com maior prioridade de investimento.

O desafio, porém, continua sendo transformar identificação em interpretação. Para Cassiano, acompanhar concorrentes não significa simplesmente contar quantas vezes eles aparecem na imprensa: “mais importante do que saber quem apareceu mais é entender por que determinada empresa está ocupando aquele espaço, qual narrativa está construindo e como isso pode afetar o restante do mercado.”

É justamente nessa fronteira que o clipping começa a se aproximar da inteligência competitiva. O monitoramento deixa de olhar exclusivamente para trás, registrando o que foi publicado, e passa a observar movimentos que podem influenciar decisões futuras.

Em mercados cada vez mais disputados, chegar primeiro à informação pode não garantir vantagem. Mas perceber primeiro o que aquela informação significa pode fazer diferença.

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