Por Laura Porto
É até difícil começar a falar sobre esse assunto porque, sinceramente, não precisaríamos falar sobre isso.
Mas quando a empatia morre, o orgulho desaparece, e o ciúmes toma conta do ser, não nos resta muito além de lamentar, gritar, espernear e agonizar por uma reviravolta humana.
Quem dera eu, dotada de muita empatia, querer ensinar ou sugerir algo para as tão belas e renomadas mulheres do mundo.
Porém, me falta paciência e um pouco de entendimento de que mulheres preferem ver a outra na pior sempre.
Como era bom quando bebês e crianças apenas brincavam e apenas se sentiam felizes pelo outro ser humano.
Sim, todos sabemos, vivemos em uma sociedade doente, estressada, acelerada, e no caos dos valores.
É compreensivo pensar que o inimigo, muitas vezes, não só dorme ao seu lado como também toma café da tarde, te acompanha em festas, ri em conjunto da vida alheia e, as vezes, é até sua confidente.
A mulher esqueceu totalmente do seu grande poder de execução e prefere usar seu precioso tempo, boicotando e querendo o mal da outra mulher.
E pior, imagine se ela for bem casada, tenha sucesso e até seja inteligente, a coitada é alvo de todas as flexas do mal senso e da ignorância alheia.
Nasci vendo minha mãe lutar por tudo e por todos, trabalho, amigos, seus pensamentos, suas convicções e seus valores.
Nasci com a percepção de que somos inabaláveis, e que tudo podemos fazer. Vivi vendo meu pai apoiar e dividir os fardos e as responsabilidades com minha mãe, e a vi aplaudir e se sentir extremamente feliz, vendo as amigas bem.
Então para mim, é difícil ver o que nossa sociedade fez com as mulheres… não só competimos com os homens como também guerrilhamos entre nós, mulheres.
Isso é tão pouco nobre, isso desgasta e empobrece toda uma geração de mulheres que só precisa de mais apoio.
Essa força e essa energia são gigantes, e se usadas para impulsionar sonhos ou novas possibilidades, nós com certeza teríamos um papel maior em toda a humanidade.
Então, isso aqui não é só um lamento, mas um grito… um grito de chega… vamos aplaudir, nos sentirmos felizes e valorizar o feito da outra de forma clara, limpa e cheia de empatia.
Cresci vendo que era possível, mas atualmente estou vendo que está mais difícil do que eu pensava, ao mesmo tempo que não quero morrer com a esperança de que a consciência ainda não mudou.
Todas merecem aplausos, todas merecem ser valorizadas e todas merecem ter uma amiga.
Apenas celebre a outra.

