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Tecnologia

A nova fronteira da IA é híbrida: agentes e humanos para construir soluções mais efetivas

3 Mins read

*Por Nicole Davila, desenvolvedora backend e pesquisadora da Zup

À medida que as empresas e organizações avançam da experimentação para produção de soluções usando uma nova tecnologia, tanto os ganhos como os desafios passam a ser vistos com mais clareza. Com Inteligência Artificial (IA) generativa não está sendo diferente. Entre os aprendizados que marcam 2025, está o potencial de colocar o humano no centro de projetos de IA.

Desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022, o mercado tem investido na descoberta de novos usos de IA, experimentando e produzindo diversas soluções. Com isso, vamos aprendendo o que funciona ou não. E considerar o papel das pessoas em todo o ciclo de desenvolvimento de soluções de IA tem levado a resultados positivos. É essa a mensagem que fica do StartSe AI Festival de 2025, evento realizado em outubro, em São Paulo.

Durante o evento, Ricardo Alem, líder do programa de inovação digital para a América Latina na AWS, pontuou que 2026 será o ano dos agentes, onde vamos investir na integração e automatização de processos usando IA. Já na palestra de André Palma, CEO da Zup, foi mostrado que a IA Agêntica será a nova fronteira, possibilitando automação inteligente. Enquanto ambas as visões convergem para a ampla adoção de sistemas multiagentes, algo também observado em pesquisa recente do Gartner, o ponto central desse próximo passo é a dinâmica híbrida entre humanos e IA. Ou seja, agentes passam a ter papéis mais definidos e pessoas passam a fazer parte do desenho da solução, criando times híbridos. A estratégia, ainda embrionária, visa explorar o máximo potencial operacional da tecnologia enquanto a confiabilidade e governança é distribuída com as pessoas envolvidas.

Além da inclusão dos humanos no ciclo de interação com IA (também chamado human-in-the-loop), a inclusão do humano no centro do projeto (ou human-centered design) também foi mencionada no festival. A abordagem envolve combinar inteligência humana com IA, focando na segurança, assertividade e ética. Como parte da estratégia também está a experiência do usuário. No painel entre Edgar Hackbart, Manager of Manufacturing na GM, e Cesar Gasparoti, Gerente de Operações na John Deere, Gaparoti destacou que não é apenas sobre acelerar a adoção de IA, mas também oferecer uma nova experiência ao cliente. Carlos Eduardo Mazzei, CTO no Banco Itaú, também compartilhou a perspectiva de como o banco tem explorado multiagentes de IA com foco no cliente, destacando tecnologia, dados e IA como meio para construir produtos que realmente atendam uma necessidade real.

Como forma de promover essa evolução na dinâmica entre humanos e IA, a mensagem que fica da edição de 2025 do StartSe AI Festival é que empresas e organizações devem promover a experimentação, criando espaço para aprender fazendo. Isso pode ser visto na apresentação de Marcos Sirelli, CIO na Porto Seguro, ao falar da plataforma Genial, uma solução para simplificar a experimentação, uso interno e integração de serviços de IA generativa. O recado foi reforçado por Matheus Garcia, Head StartSe Consulting, que colocou experimentação contínua através de “learning by doing” e “governance by design” como ponto central no processo de adoção e uso da IA.

Apesar da falta de discussões mais profundas sobre dificuldades, riscos e desafios relacionados a aproximar humanos do ciclo e projetos de IA, o evento reforça uma tendência observada em fóruns de discussão pelo mundo e que começa a gerar movimento no cenário brasileiro. A expectativa, agora, é que nos próximos anos vamos começar a entender com mais clareza os desafios reais dessa abordagem no contexto brasileiro, assim como novas perspectivas para o futuro do trabalho híbrido em um mundo cada vez mais multiagente.

*Nicole Davila é  doutoranda em Ciência da Computação pela UFRGS. Ela ocupa o cargo de desenvolvedora backend e pesquisadora na Zup e atua na pesquisa e desenvolvimento de soluções com IA generativa e outras tecnologias voltadas à modernização de sistemas legados.

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