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A Reforma da Renda e o que pode mudar na vida do empresário em 2026

Maynara Fogaça - Crédito da foto: Divulgação

Maynara Fogaça - Crédito da foto: Divulgação

Debates sobre alta renda, dividendos e ajustes na tabela do IR reacendem a necessidade de planejamento financeiro e fiscal antecipado

A Reforma da Renda, já aprovada pela Câmara dos Deputados e em fase final de tramitação, tem previsão de entrar em vigor em 2026 e traz impactos diretos para empresários e profissionais de alta renda. As novas regras incluem mudanças na tabela do Imposto de Renda, a tributação de dividendos e maior progressividade para faixas mais altas de rendimentos. 

Em um país onde 95% das empresas pagam mais tributos do que deveriam por falhas de apuração e ausência de rotinas de revisão, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o momento exige atenção redobrada.

Para Maynara Fogaça, estrategista tributária e especialista em auditoria de crédito com mais de 23 anos de atuação, o empresário não pode esperar o início da vigência para se organizar. “A forma de distribuir lucros, remunerar sócios e projetar o caixa será diretamente impactada. Antecipar cenários é o que garante segurança”, afirma.

O que está definido para 2026

As medidas aprovadas incluem pontos que afetam diretamente a gestão financeira das empresas:

Ampliação da faixa de isenção do IRPF  

  1. O limite já foi ampliado, o que pode alterar a forma como sócios e administradores estruturam o pró-labore.

Tributação de lucros e dividendos  

  1. A distribuição de lucros passa a ser tributada, impactando diretamente empresários que utilizam esse mecanismo como principal forma de remuneração.

Maior progressividade no IRPF  

  1. A tabela ganha mais faixas e maior progressividade para rendas elevadas, repercutindo na remuneração de executivos, prestadores de serviços e sócios enquadrados no lucro presumido ou real.

Essas medidas ainda não estão em vigor, mas já aprovadas em parte do processo legislativo e previstas para 2026, exigindo planejamento antecipado.

Como os empresários devem se preparar

Para Maynara, o risco não está apenas nas novas regras, mas na ausência de preparação. Ela aponta quatro diretrizes para atravessar 2026 com segurança:

Revisão do modelo de remuneração dos sócios  

1. Simular diferentes cenários, com tributação de dividendos e pró-labore ajustado ou mantido, evita surpresas futuras.

Avaliação societária e contratual  

2. Acordos de sócios, políticas de retirada e critérios de participação precisam ser revisitados à luz das mudanças atuais.

Projeção tributária comparativa 

3. Simulações que cruzam os efeitos da Reforma da Renda com o início da transição do IVA, IBS e CBS em 2026 oferecem visão estratégica sobre riscos e oportunidades.

Reforço da cultura fiscal 

4. Empresas que não revisam a base tributária deixam recursos na mesa. “Rever tributos pagos, recuperar valores e ajustar processos é o que fortalece o caixa e prepara o negócio para qualquer cenário”, afirma.

A convivência com a Reforma do Consumo

Enquanto a agenda da Reforma da Renda avança, a Reforma Tributária sobre consumo já tem calendário definido. Em 2026, começam as alíquotas teste do IBS e CBS, que convivem com o sistema atual. Isso significa mais complexidade no curto prazo.

“O empresário terá de lidar simultaneamente com duas frentes: uma mudança já aprovada no consumo e outra em fase final de tramitação na renda. Isso exige organização e leitura estratégica dos impactos na operação”, reforça Maynara.

O que esperar do próximo ano

Para 2026, a previsão é de um ambiente tributário mais dinâmico, em que empresários terão de acompanhar propostas no Congresso, decisões regulatórias e a evolução da implementação do novo sistema de impostos sobre consumo.

A especialista resume: “O cenário pode mudar, mas a necessidade de preparo permanece. Quem entende números, revisa tributos e ajusta a remuneração dos sócios antes das mudanças sai na frente e reduz riscos”, conclui.

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