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A verdade que mora em nós

Créditos da foto: Divulgação

Créditos da foto: Divulgação

Por Laura Porto – Escritora, Poeta e Neuromentora

Vivemos um tempo curioso.
Há uma verdade que nunca faz barulho.
Ela não disputa espaço nas redes sociais, não se impõe nas reuniões, não coleciona aplausos. Ao contrário. Ela costuma morar nos lugares mais silenciosos da existência, justamente onde poucos se aventuram a entrar.
Dentro de nós.
Talvez por isso seja tão difícil encontrá-la.
Passamos boa parte da vida aprendendo a responder quem os outros esperam que sejamos. Aprendemos a caber. A agradar. A corresponder. Aprendemos a controlar o choro, a esconder os medos, a disfarçar as fragilidades e a celebrar conquistas que, muitas vezes, nunca desejaram verdadeiramente o nosso coração.
Existe uma estranha habilidade humana em abandonar a própria essência para conquistar pertencimento.
E, ironicamente, é justamente nesse abandono que nasce a mais profunda das solidões.
Porque ninguém sofre tanto quanto alguém que já não consegue reconhecer a própria voz.
Há pessoas que acumulam títulos, patrimônio, reconhecimento e admiração. Ainda assim, carregam uma ausência impossível de explicar. Não lhes falta sucesso. Falta encontro.
Encontro consigo mesmas.
A filosofia sempre me encantou porque ela nunca prometeu felicidade. Prometeu consciência. E talvez seja esta a maior revolução que um ser humano possa viver: a coragem de olhar para dentro antes de continuar caminhando para fora.
Conhecer-se nunca foi um exercício de vaidade.
É um ato de responsabilidade.
Quem não conhece a própria verdade acaba vivendo a verdade dos outros. Compra sonhos que não escolheu. Sustenta batalhas que nunca foram suas. Defende ideias que jamais passaram pelo crivo da própria consciência.
E, sem perceber, transforma a vida em uma longa representação.
No entanto, existe algo extraordinário na autenticidade.
Ela não produz pessoas perfeitas.
Produz pessoas inteiras.
Gosto de pensar que cada ser humano chega ao mundo trazendo uma frequência única. Como uma nota musical que jamais será repetida exatamente da mesma forma. Quando tentamos imitar alguém, abafamos justamente a melodia que poderia tornar a existência mais bonita.
O mundo não precisa de cópias bem acabadas.
Precisa de presenças verdadeiras.

Talvez seja por isso que algumas pessoas nos marquem tão profundamente. Não necessariamente porque disseram grandes discursos ou realizaram feitos extraordinários. Mas porque tiveram a rara coragem de existir sem pedir licença para serem quem eram.
Existe uma serenidade que só nasce quando a alma deixa de negociar consigo mesma.
É nesse instante que compreendemos que sentir não é fraqueza. Sensibilidade não é excesso. Vulnerabilidade não é incompetência emocional. São sinais de que ainda permanecemos humanos em um tempo que insiste em transformar pessoas em vitrines.
Valorizamos tanto aquilo que possuímos que, por vezes, esquecemos de cuidar da única riqueza que realmente atravessará todos os capítulos da nossa vida: aquilo que somos.
O mundo nos ensinou a medir valor pelo que acumulamos.
A vida, porém, insiste em medir pelo que nos tornamos.
Talvez a grande obra de uma existência não seja construir uma carreira impecável, uma imagem admirável ou um currículo memorável.
Talvez seja preservar a delicadeza de continuar sendo verdadeiro quando tudo ao redor nos convida a representar.
No fim das contas, nossa identidade não é um destino que encontramos.
É uma verdade que escolhemos não abandonar.
E acredito que seja exatamente isso o que faz uma vida valer a pena.
Não chegar ao fim com a sensação de ter sido admirado por muitos.
Mas partir sabendo que, durante todo o caminho, nunca deixamos de ser nós mesmos.

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