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Abrir empresa em São Paulo nunca foi tão fácil. Sobreviver é o desafio.

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Com recorde de abertura de CNPJs no Estado, especialistas alertam que erro na escolha do regime tributário e ausência de planejamento financeiro estão entre os principais fatores de mortalidade empresarial.

São Paulo segue liderando a abertura de empresas no Brasil. De acordo com dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), o estado registrou mais de 380 mil novas empresas abertas em 2024, mantendo a posição de principal polo empreendedor do país. No cenário nacional, segundo o Mapa de Empresas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil superou a marca de 21 milhões de empresas ativas, com saldo positivo anual de novos CNPJs.

A digitalização do processo reduziu prazos e burocracias. Em muitos municípios paulistas, abrir uma empresa pode levar menos de uma semana.

Mas o número que preocupa está do outro lado da estatística.

Segundo o Sebrae, cerca de 29% das empresas fecham antes de completar cinco anos. Entre as principais causas estão falta de capital de giro, problemas de gestão financeira e planejamento inadequado.

Para Lucas Oliveira, diretor da LCS Contabilidade, o problema não está na abertura em si, mas na estruturação inicial.

“O empreendedor se preocupa com o prazo do CNPJ, com a taxa da Junta, com a documentação. Mas quase nunca pergunta se o regime tributário escolhido sustenta o modelo de negócio dele. E essa decisão impacta diretamente na margem”, afirma.

O erro começa na escolha do regime

Dados da Receita Federal indicam que mais de 70% das empresas brasileiras estão enquadradas no Simples Nacional. O regime é atrativo pela simplificação, mas não é automaticamente o mais vantajoso.

Dependendo da atividade e da margem operacional, a diferença de carga tributária entre Simples e Lucro Presumido pode ultrapassar 10 pontos percentuais, segundo simulações realizadas por escritórios de contabilidade consultiva.

“Muitos escolhem o Simples por padrão. Mas, dependendo da atividade, ele pode representar uma carga maior do que o Lucro Presumido. Sem simulação prévia, o empreendedor começa já pagando mais imposto do que deveria”, explica Lucas Oliveira.

A ausência de simulação tributária antes da abertura também compromete a precificação. Empresas projetam receita, mas não consideram corretamente PIS, COFINS, ISS ou ICMS na formação do preço.

O resultado aparece meses depois: faturamento cresce, mas a margem não acompanha.

Plano de negócio sem simulação financeira é incompleto

Outro ponto crítico está no plano de negócio. Segundo levantamento do Sebrae, a falta de planejamento adequado está entre as três principais causas de encerramento precoce.

Lucas Oliveira afirma que muitos planos ignoram projeções de carga tributária real e fluxo de caixa detalhado.

“Plano de negócio sem simulação tributária e projeção de capital de giro é uma estimativa otimista. O empresário projeta vendas, mas não projeta o impacto dos impostos na margem. Isso cria uma ilusão de lucro.”

A LCS relata casos de empresas que buscaram reestruturação ainda no primeiro ano de operação após perceberem que o regime escolhido inviabilizava o crescimento.

Em um dos casos acompanhados pela consultoria, uma empresa de serviços digitais abriu no Simples Nacional e, após análise, migrou para o Lucro Presumido no segundo ano. A mudança reduziu a carga tributária efetiva em cerca de 8% da receita bruta, permitindo reinvestimento em equipe e marketing.

Estrutura societária também influencia crescimento

Além da tributação, a definição societária impacta diretamente na escalabilidade. Empresas abertas como empresário individual, por exemplo, podem enfrentar limitações para entrada de novos sócios ou reorganização futura.

“Abrir empresa é rápido. Corrigir estrutura societária depois é mais caro, mais complexo e pode gerar impacto tributário adicional”, diz Oliveira.

Com a reforma tributária em andamento e previsão de transição gradual para o novo modelo de IVA dual (CBS e IBS), a tendência é que decisões tomadas na abertura tenham efeitos ainda mais relevantes nos próximos anos.

A abertura é operacional. A sobrevivência é estratégica.

Os números mostram que empreender está mais acessível. Mas também indicam que a sobrevivência depende de estrutura, não apenas de oportunidade.

Para especialistas, incluir a contabilidade no planejamento antes da formalização da empresa pode reduzir risco, evitar retrabalho e melhorar a rentabilidade desde o início.

“Empreender não é só abrir CNPJ. É estruturar margem, prever imposto e organizar crescimento desde o primeiro dia”, conclui Lucas Oliveira.

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