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Agenda RH 2026: quatro eventos que explicam para onde vai o trabalho no Brasil

Créditos da foto: Divulgação

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Conferências e festivais expõem a transição do RH de suporte administrativo para ator estratégico em um mercado redefinido pela IA

A área de Recursos Humanos entra em 2026 sob uma pressão inédita. É o que aponta uma pesquisa recente da Paycom, segundo a qual 39% dos líderes globais de RH veem a incorporação da inteligência artificial como uma urgência estratégica, ao mesmo tempo em que 74% desses profissionais afirmam não se sentirem plenamente preparados para lidar com as novas exigências técnicas impostas pela transformação digital, e 71% dizem precisar fortalecer competências humanas e comportamentais, como gestão de tensões e tomada de decisão em contextos automatizados, conforme complementa o levantamento do Leapsome HR Statistics.

Além disso, a pressão é motivada também por resultados, como aponta o Leapsome ao destacar que 48% dos profissionais de RH ainda enfrentam dificuldade em comprovar o impacto real (ROI) das iniciativas de pessoas, especialmente em organizações orientadas por dados e IA. Esse cenário, marcado pela combinação entre urgência tecnológica, lacunas de capacitação e cobrança por impacto mensurável, reposiciona o RH no centro das decisões estratégicas das empresas e ajuda a explicar por que, em 2026, eventos e conferências do setor se tornam espaços essenciais para interpretar os rumos do trabalho no Brasil. Confira a lista dos eventos que devem pautar a agenda do setor ao longo do ano:

Março

— StartSe RH Leadership Festival 2026

Entre os dias 26 e 27 de março, o StartSe RH Leadership Festival 2026, no Distrito Anhembi, marca a evolução de um dos encontros mais tradicionais do setor de Recursos Humanos no Brasil. Ao migrar para o formato festival, o evento amplia seu escopo e propõe uma experiência mais imersiva, desenhada para responder aos desafios concretos de um ambiente corporativo em que a inteligência artificial já faz parte do cotidiano. A mudança de formato reflete a necessidade de ir além das grandes plenárias e aprofundar o aprendizado por meio da prática. A curadoria conecta tendências internacionais a experiências reais de organizações que já operam com modelos híbridos, estimulando reflexões sobre os impactos da tecnologia na liderança, na cultura organizacional e no desempenho. Nesse contexto, o festival passa a funcionar como um ecossistema de troca, experimentação e construção coletiva de soluções. As Salas de Workshops ganham protagonismo ao oferecer sessões curtas, dinâmicas e orientadas à aplicação imediata, com foco em temas como adoção de IA, requalificação de talentos e redesenho de processos. Complementando a jornada, os Hot Seats reúnem executivos de grandes organizações e HR Techs em conversas abertas sobre reorganização de times, pressão por eficiência e tomada de decisão em cenários de incerteza, com o objetivo de gerar orientação prática para líderes que precisam adaptar suas estruturas no presente.

Maio

 — RH Summit 2026

Nos dias 5 e 6 de maio, o RH Summit aborda o desafio de transformar dados organizacionais em resultados sustentáveis. O encontro parte do princípio de que processos, métricas e tecnologia só fazem sentido quando refletem a experiência das pessoas. A programação reforça que o papel do RH é interpretar indicadores, conectar propósitos e construir organizações que sustentem engajamento sem descuidar da exigência por performance.

Junho

— Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento (CBTD)

Entre 8 e 10 de junho, o CBTD concentra debates sobre aprendizagem contínua. Em um ambiente em que tarefas mudam rapidamente e funções tradicionais perdem rigidez, o desenvolvimento passa a ser permanente. O congresso destaca que treinar equipes não é apenas suprir lacunas técnicas, mas preparar profissionais para raciocinar, aprender e se adaptar em ciclos mais curtos.

Agosto

— CONARH 2026

A agenda culmina com o CONARH, de 18 a 20 de agosto, no São Paulo Expo. Reconhecido pela escala e abrangência, o encontro reúne milhares de profissionais para discutir ética na adoção da IA, a convivência entre múltiplas gerações e o papel humano em decisões estratégicas. O foco se desloca da previsão para a construção do presente: a IA já está incorporada, e o dilema agora é como gerir pessoas em um ambiente mais complexo, diverso e exigente.

O RH como ponte entre tecnologia e humanidade

O RH ocupa, em 2026, o ponto de interseção entre tecnologia e cultura. A área é chamada a liderar a transição entre modelos tradicionais e novas dinâmicas, assegurando que a inovação não sufoque as pessoas que a tornam possível. Integrar IA ao trabalho, desenvolver novos líderes, combater burnout e conectar gerações deixam de ser objetivos acessórios e passam a definir o desempenho organizacional.

Quando máquinas ampliam seu papel nos negócios, aumenta a responsabilidade humana de interpretar, decidir, orientar e cuidar. Em 2026, a gestão de pessoas assume o protagonismo de orientar o trabalho para onde ele precisa ir sem perder de vista quem o realiza.

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