Especializada em mineração de processos, UpFlux investe R$8 milhões em Enterprise AI para desenvolver agentes inteligentes capazes de atuar diretamente nos fluxos de negócio
A inteligência artificial já faz parte da estratégia da maioria das grandes empresas. O desafio, agora, é outro: transformar esse investimento em ganho operacional. Apesar da popularização dos modelos generativos e dos copilotos, boa parte das iniciativas continua restrita à produção de conteúdo, à busca de informações e à automação de tarefas pontuais, sem impacto em eficiência operacional, saving e aumento da capacidade de gestão.
É nesse ponto que entra a estratégia de Enterprise AI da UpFlux. Em vez de utilizar modelos isolados, a proposta é integrar a inteligência artificial aos processos de negócios para compreender o contexto das operações, interagir com sistemas corporativos e executar ações de forma automatizada.
“A maioria das empresas já possui dados suficientes para operar melhor. O problema não é a falta de informação, mas a dificuldade de transformar esses dados em decisões que gerem resultados. É essa lacuna que a inteligência artificial começa a preencher”, afirma Alex Meincheim, CEO e cofundador da UpFlux.
Como parte dessa estratégia, a empresa desenvolveu o NOUS AI, uma plataforma que combina mineração de processos, inteligência operacional e agentes autônomos. Diferentemente das aplicações voltadas apenas à interação com usuários, a solução se conecta aos sistemas corporativos para acompanhar o fluxo das operações, identificar desvios e executar atividades previamente autorizadas, sempre respeitando as regras definidas pela empresa. Em compras, isso significa agrupar requisições equivalentes, avaliar fornecedores pelo prazo real de entrega, calcular o custo tributário efetivo, negociar com o fornecedor e lançar o pedido diretamente no ERP.
O desenvolvimento da tecnologia foi baseado na experiência acumulada pela UpFlux em mineração de processos. Desde sua fundação, a empresa afirma ter analisado mais de R$59 bilhões em compras corporativas e R$200 bilhões em contas médicas para identificar gargalos, desperdícios e oportunidades de eficiência.
A aposta em Enterprise AI também marca uma nova etapa da UpFlux. Conhecida pela atuação em mineração de processos, a empresa amplia sua plataforma para reunir inteligência operacional, agentes autônomos e automação em uma arquitetura integrada.
Para acelerar essa estratégia, a companhia anunciou investimentos de R$8 milhões em pesquisa e desenvolvimento e projeta alcançar R$100 milhões em receita até 2028. Com investidores como Aggir, Citrino Ventures e Alexia Ventures, a UpFlux pretende ampliar sua presença na América Latina e consolidar sua atuação no mercado de Enterprise AI.
Na prática, a proposta é fazer com que a IA deixe de atuar apenas como assistente e passe a participar da execução dos processos de negócio. Para Meincheim, esse ainda é o principal obstáculo para que as empresas extraiam valor dos investimentos em inteligência artificial. “Muitas organizações incorporaram IA à rotina dos colaboradores, mas a operação continua funcionando da mesma forma. O ganho aparece quando a tecnologia entende como o processo funciona, respeita regras de negócio e passa a apoiar decisões operacionais”.
Na cadeia de suprimentos, um dos principais focos da companhia, a tecnologia é aplicada sobretudo às compras de long tail, que concentram milhares de aquisições de menor valor individual. Segundo a empresa, a solução gera, em média, R$1,6 milhão em economia para cada R$20 milhões processados.
“A IA não deve substituir pessoas. Ela deve assumir atividades repetitivas para que as equipes possam concentrar esforços em negociação, análise e tomada de decisão. O futuro passa por operações em que profissionais e agentes inteligentes trabalham lado a lado”, diz o executivo.

