
Por Lucas Tavares, especialista em câmbio na WIT Exchange
- Como você avalia o comportamento do dólar frente ao real no mês de junho?
No mês de junho, o dólar registrou queda frente ao real. A cotação abriu o mês acima de R$ 5,70, mas foi recuando de forma gradual até alcançar o menor patamar do ano, abaixo de R$ 5,50. Esse movimento refletiu, sobretudo, fatores externos, como a perspectiva de cortes de juros nos Estados Unidos e um maior apetite por risco nos mercados globais, o que acabou favorecendo moedas de países emergentes, como o real. Internamente, apesar de incertezas fiscais e políticas, o cenário externo acabou se sobrepondo, trazendo alívio ao câmbio.
- Quais foram os principais fatores internos e externos que influenciaram o câmbio durante o mês?
Dos principais fatores internos temos a taxa Selic elevada (15% a.a. após reunião do Copom em 18/06), e a expectativa de estabilidade dos juros mantiveram o Brasil atrativo a investidores. A inflação mostrou um leve sinal de desaceleração: o IPCA-15 de junho registrou alta de apenas 0,26% (abaixo do mês anterior).
E de fatores externos temos as decisões do FED, mantendo a taxa de juros entre 4,25–4,50%, mas sinalizando início de cortes de juros a partir de setembro. Essa sinalização de afrouxamento futuro enfraqueceu o dólar globalmente.
A escalada do conflito Oriente Médio (ataques dos EUA ao Irã e ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz) afetou o mercado de petróleo e reduziu a demanda por dólar como um ativo de segurança.
- A atuação do banco central brasileiro teve impacto significativo sobre o dólar em junho?
O Copom elevou a Selic novamente em 0,25 p.p., para um total de 15,00% ao ano, o maior patamar desde 2006. Também sinalizou que pode ser a última alta do ciclo, além de justificar que manterá a taxa em nível “contracionista por período bastante prolongado” a fim de controlar a inflação.
- Como a política monetária dos EUA influenciaram o câmbio no mês de junho?
O Fed decidiu manter os juros entre 4,25% e 4,5%, como já era esperado pelo mercado. A decisão do juros em si não trouxe tanto impacto e destacaram que dados econômicos ficariam sob análise antes de iniciar qualquer flexibilização. O que chamou mais atenção foi o comunicado que os primeiros cortes ocorrerão a partir de setembro, e com aproximadamente 50 pontos-base de redução projetados até o fim do ano. Essa perspectiva de eventual queda dos juros ajudou a enfraquecer o dólar globalmente.
- O cenário geopolítico influenciou no mercado de câmbio? De que forma?
Sim, vimos as tensões entre Israel x Irã e EUA x Irã escalarem a um nível preocupante, o que refletiu diretamente no mercado. Os ataques às usinas nucleares no Irã, declarações presidenciais sobre possíveis guerras e risco de fechamento do estreito de Ormuz geraram volatilidade nos mercados de petróleo e ativos de risco.
- Quais são suas projeções para o câmbio no mês de julho?
Para julho de 2025, o consenso de mercado não aponta para grandes mudanças abruptas no câmbio. O Boletim Focus de 23/06 sugere R$5,72 para o dólar no fim de 2025, mas no curto prazo não deve ocorrer grandes volatilidades. De modo geral, economistas projetam que o dólar fique em torno dos níveis atuais (~R$5,50–5,60) em julho, salvo ocorrências inesperadas.
- Quais eventos do mercado financeiro devem gerar uma oscilação cambial no próximo mês?
Temos novamente as decisões de juros do FED nos EUA e do COPOM no Brasil a serem realizadas ao final do mês (29 e 30 de julho). Além disso, tem o Payroll na primeira sexta de julho, dados do IPCA e PIB do 2º tri.
- Há espaço para entrada de capital estrangeiro em junho que possa fortalecer o real?
As perspectivas são favoráveis, apoiadas por juros elevados domésticos e fundamentos macroeconômicos mais estáveis. A sinalização do futuro corte de juros nos EUA também pode contribuir para aumentar o fluxo de capital estrangeiro no país.
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