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Alta nas vendas de motos leva governo a ampliar crédito; setor de delivery fortalece mercado de consórcios

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Programa federal voltado a motociclistas de aplicativo reforça o aquecimento do mercado, que registra recordes de vendas e impulsiona a busca por consórcios.

O governo federal prepara o Move Motos, linha de crédito para que motociclistas de aplicativos financiem motos novas. A medida segue a lógica do programa lançado para motoristas de aplicativo e táxi, que já reúne 740 mil profissionais habilitados, com a análise de crédito junto aos bancos começando em 19 de junho. O anúncio chega em um momento incomum: o mercado de motos vive seu melhor momento, em 2025 o Brasil emplacou 2,19 milhões de motos, o melhor desempenho da história do segmento, segundo a Fenabrave. O ritmo não desacelerou em 2026, com 782.364 motocicletas licenciadas, alta de 19,1% e o melhor primeiro quadrimestre já registrado. 

Os números ajudam a explicar a força dessa demanda. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), entregadores realizam entre 15 e 30 viagens por dia e percorrem cerca de 450 quilômetros diariamente, o equivalente a até 162 mil quilômetros por ano. Com esse nível de utilização, a troca da motocicleta tende a ocorrer a cada dois ou três anos, transformando os profissionais de entrega e transporte por aplicativo em compradores recorrentes e sustentando a renovação constante da frota.

Essa dinâmica se reflete diretamente na produção nacional. Dados da Abraciclo mostram que as motos de entrada responderam por 78% de toda a fabricação brasileira entre janeiro e abril de 2026. É justamente essa categoria que atende a maior parte dos profissionais que utilizam a motocicleta como ferramenta de trabalho e geração de renda, impulsionando tanto as vendas quanto a procura por modalidades de compra planejada.

O gerente de negócios da Shineray, Wendel Lazko, destaca como essas motos de entrada são importantes para os motoristas de aplicativos “O motociclista de aplicativo não compra uma moto, compra um meio de produção. Ele busca baixo consumo, manutenção barata e durabilidade para rodar o dia inteiro. Programas como o Move Motos confirmam o que já víamos no balcão: a moto deixou de ser um item de consumo e virou infraestrutura de trabalho para milhões de brasileiros.” 

Se o crédito público vai aquecer a demanda, ele mira um recorte específico, já o consórcio é o caminho consolidado para esse mesmo trabalhador. O setor de delivery no Brasil reúne mais de 2,2 milhões de profissionais, segundo o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), o que coloca o país em quarto lugar no mercado global; só nas entregas por aplicativo, são pouco mais de 450 mil pessoas na ponta do serviço. Para esse segmento, a moto não é consumo, é instrumento de trabalho e a forma de adquiri-la tem migrado para o planejamento. 

A leitura de Guilherme Lamounier, head de negócios da Multimarcas Consórcios, é de que o consorciado valoriza a compra planejada e sem juros, um argumento que ganha força para quem fica fora do crédito público ou quer evitar a dívida com juros bancários. 

“O Move Motos resolve a urgência de um grupo, mas o Brasil tem milhões de motociclistas que não se encaixam no recorte do programa ou simplesmente não querem se endividar com juros. Para esse público, o consórcio é a porta de entrada planejada: sem juros, com parcela previsível e crédito que pode ser usado para a primeira moto ou para renovar a frota de trabalho.” 

Atualmente, mais de uma a cada três motos vendidas no Brasil passam pelo consórcio, de acordo com dados da ABAC . Entre janeiro e abril de 2026, os consórcios de motocicletas somaram 505,15 mil adesões, alta de 7,3% sobre o ano anterior, com tíquete médio em torno de R$21 mil e mais de 3,2 milhões de participantes ativos no segmento. O perfil de quem adere ao consórcio é aquele consumidor que busca mobilidade urbana e oportunidades de trabalho em aplicativos de entrega e transporte. 

O retrato é de um mercado puxado por dois segmentos complementares: de um lado, o crédito público que injeta urgência e aquece a demanda imediata; de outro, o consórcio, que se consolida como o caminho de aquisição planejada para o trabalhador das duas rodas. No meio, a indústria de motos de entrada colhe o resultado, independente de qual porta o comprador escolha. 

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