Economista do Grupo Fatorial avalia que juros elevados e incerteza fiscal devem continuar pesando sobre os ativos mais do que a disputa eleitoral; diversificação e planejamento devem orientar as decisões dos investidores
A proximidade do calendário eleitoral deve manter o mercado financeiro mais sensível a notícias políticas ao longo do segundo semestre, mas a expectativa é de um aumento de volatilidade dentro do padrão histórico dos anos eleitorais. A avaliação é do economista Daniel Abrahão, do Grupo Fatorial, que vê espaço para oscilações adicionais sem mudança estrutural na tendência dos ativos.
Segundo o especialista, o ambiente continua marcado por juros elevados e incerteza fiscal, fatores que seguem influenciando a Bolsa, câmbio e renda fixa com mais intensidade do que o próprio processo eleitoral.
“Começamos o segundo semestre em um ambiente de maior volatilidade, juros elevados e incerteza fiscal, quase como sempre no Brasil em ano eleitoral, e o calendário político tende a amplificar a sensibilidade dos ativos”, ressalta Abrahão.
Mercado já incorporou parte do risco político
Na leitura do Grupo Fatorial, boa parte das expectativas eleitorais já vem sendo absorvida pelos preços dos ativos à medida que pesquisas e cenários políticos são divulgados. Por isso, o economista considera improvável uma reação abrupta apenas pela proximidade da eleição.“Não há uma grande surpresa esperando o mês de outubro. Quando um candidato sobe nas pesquisas, a remarcação acontece em tempo real”, complementa.
Daniel Abrahão lembra que estudos sobre o comportamento do Ibovespa em anos eleitorais mostram aumento da volatilidade média mensal de 27,3% para 30,2%, um avanço de 10,6%. Para ele, trata-se de um movimento relevante, mas compatível com a experiência recente do mercado brasileiro.
Fiscal continua sendo o principal termômetro
O economista destaca que a atenção dos investidores permanece concentrada na condução das contas públicas. Medidas relacionadas a gastos, arrecadação e reformas estruturais tendem a ter impacto mais duradouro sobre os ativos do que episódios pontuais da disputa eleitoral.
“Para 2026 importa menos quem vence e mais o que sinaliza sobre gestão fiscal e reforma estrutural”, afirma.
Na avaliação da assessoria de investimentos, momentos de maior estresse costumam ocorrer quando o mercado percebe risco de deterioração fiscal ou perda de compromisso com regras econômicas.
Planejamento deve prevalecer sobre a ansiedade
Abrahão alerta que a principal cautela para o investidor neste semestre é evitar mudanças bruscas de carteira motivadas pelo noticiário político. Ele defende que a estratégia deve continuar baseada em perfil de risco, horizonte de investimento e objetivos financeiros.
O economista acrescenta que a diversificação segue sendo um dos instrumentos mais importantes de proteção em períodos de incerteza e que decisões de investimento precisam ser avaliadas caso a caso.
Bolsa pode continuar oferecendo oportunidades
Mesmo com juros altos e câmbio volátil, o Grupo Fatorial entende que correções de mercado não significam necessariamente deterioração estrutural das empresas. Em alguns casos, podem abrir espaço para reposicionamentos mais seletivos.
Abrahão cita o histórico das eleições de 2002, quando o Ibovespa registrou forte valorização nos anos seguintes ao período de maior tensão política. Para ele, o episódio reforça a importância do horizonte de longo prazo.
“Quem tem necessidade de liquidez no curto prazo não deveria estar exposto a essa volatilidade, independentemente do momento de mercado”, afirma.
Na conclusão do economista, o investidor que mantém disciplina e planejamento tende a atravessar ciclos eleitorais com mais tranquilidade. “Um investidor com planejamento sólido, carteira diversificada e horizonte adequado não precisa se preocupar com ciclos eleitorais. A estratégia fundamental não muda, e os ajustes, quando houver, devem ser apenas táticos”, diz.








