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Ansiedade em alta: dados de 2025 revelam agravamento e reforçam urgência de debate no Setembro Amarelo

No Brasil, afastamentos por saúde mental crescem 28% em 2025; psicólogo e escritor Felipe Rosenberg analisa como ansiedade e burnout podem ser enfrentados com ciência, escuta e construção de sentido

O Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio, chega em 2025 com números preocupantes. Um levantamento da Agência Brasil aponta que, apenas no primeiro trimestre deste ano, os afastamentos por transtornos mentais aumentaram 28%, com a ansiedade liderando os registros. Em paralelo, a Organização Mundial da Saúde já reconhece o Brasil como o país mais ansioso do mundo, com quase 10% da população afetada por transtornos de ansiedade.

                Diante desse cenário, especialistas alertam que a discussão sobre saúde mental não pode se restringir a um mês de mobilização. A ansiedade é o sintoma mais visível de uma sociedade que perdeu o ritmo interno. Ela não deve ser encarada como fraqueza, mas como sinal de que a vida pede um realinhamento, explica o psicólogo clínico e escritor Felipe Rosenberg, que atende online em São Paulo e atua há mais de uma década em processos de reconstrução emocional.

                Autor do livro Ansiedade Transformada: Como a Inteligência Espiritual e a Psicologia do Propósito podem mudar sua vida, Rosenberg defende que os episódios de ansiedade e burnout podem abrir espaço para transformações quando acompanhados com responsabilidade. Não se trata de romantizar a dor, mas de compreendê-la como mensagem. Quando há escuta, acolhimento e prática clínica séria, é possível transformar crises em novos caminhos de vida, afirma.

                A proposta de Rosenberg une psicologia tradicional, as terapias cognitivo comportamentais, o estoicismo e reflexões existenciais, inspiradas na logoterapia de Viktor Frankl. Em sua prática, a ansiedade não é tratada apenas como um sintoma a ser controlado, mas como um sinal de vazio de sentido. Essa abordagem, que ele chama de psicologia do propósito, amplia os tratamentos convencionais, ao considerar o componente espiritual no tratamento. O sofrimento emocional precisa ser olhado em toda sua complexidade, biológica, social, espiritual e cultural. Quando reduzimos a ansiedade a apenas um desequilíbrio químico, ignoramos camadas essenciais da experiência humana.

                O aumento dos afastamentos por transtornos mentais também traz impactos econômicos. Segundo a Agência Brasil, mais de 440 mil trabalhadores foram afastados em 2024 por questões ligadas à saúde mental, número que dobrou na última década. Para Rosenberg, esses dados mostram que a ansiedade deixou de ser apenas um drama individual para se tornar um problema social.

                No Setembro Amarelo, campanhas de prevenção reforçam a importância da informação acessível, da busca por atendimento especializado e da rede de apoio entre famílias, escolas e ambientes de trabalho. Falar sobre saúde mental não é um luxo, é uma necessidade. O silêncio custa vidas, lembra Rosenberg.

Felipe Rosenberg, psicólogo e escritor

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