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Aos 23 anos, ele apostou na robótica e criou uma empresa que hoje fatura mais de R$2 milhões em parceria com montadoras globais

Diego-Bock-Créditos da foto: Divulgação
Diego-Bock-Créditos da foto: Divulgação

A robótica industrial avança no mundo, mas no Brasil ainda caminha a passos lentos. Segundo dados de 2023 da Federação Internacional de Robótica (IFR), enquanto países como Coreia do Sul e Alemanha operam com mais de 162 robôs para cada 10 mil trabalhadores na indústria, o Brasil mantém uma média de 30 robôs a cada 10 mil funcionários.

Apostando nesse cenário que ainda exige investimento, mas oferece alta demanda por profissionais capacitados, o engenheiro mecatrônico paranaense Diego Lawrens Bock decidiu acreditar no setor e, em 2012, com apenas 23 anos de idade, fundou a Bock Robotics, empresa especializada na integração de robôs e sistemas de visão computacional. Hoje, aos 37, Bock lidera projetos para a indústria com aplicações que vão de soldagem automatizada à inspeção óptica em linhas de produção de alta complexidade.

“Sempre soube que a robótica é o caminho inevitável para a indústria. O Brasil ainda tem muito a desenvolver, mas possui uma margem de crescimento que favorece muito os profissionais interessados nesse mercado. Acreditei muito cedo nessa ideia e hoje apresento uma grande vantagem de expertise com relação aos meus concorrentes”, afirma o engenheiro.

A convicção de Bock é reforçada por dados recentes do segmento. Em 2024, os investimentos globais em robótica ultrapassaram US$ 2,2 bilhões apenas no primeiro trimestre, puxados por aplicações com inteligência artificial. No Brasil, embora o ritmo seja menos acelerado, o movimento é visível: o governo federal anunciou em setembro do ano passado um pacote de R$ 186 bilhões no programa Nova Indústria Brasil, com linhas de crédito específicas para automação e digitalização. Até 2035, o projeto prevê investimentos em tecnologia de ponta — incluindo robôs industriais, semicondutores, fibra ótica, IA e nuvem.

Com mais de uma década de atuação prática, Diego Bock desenvolveu know-how em plataformas como KUKA, Fanuc, ABB e Staübli, além de sistemas de visão como Cognex e Keyence. Seus projetos incluem integração de robôs com sensores de inspeção e programação offline de processos industriais –  tecnologias que ainda são raras fora dos grandes polos. “É um mercado que exige profundidade técnica e flexibilidade. Alguns projetos não são padronizados. Cada linha de produção tem sua particularidade”, afirma Bock.

A Bock Robotics opera com um modelo enxuto, voltado à entrega técnica e alta especialização. Embora tenha começado com foco no setor automotivo, a empresa agora mira em novas frentes, como alimentos, logística e energia renovável, setores onde a automação começa a ganhar mais espaço. Com isso, o objetivo de Diego Bock é aumentar em 50% o faturamento atual de R$2 milhões até o final de 2025.

A expectativa é de que o Brasil acelere nos próximos anos, acompanhando uma tendência global irreversível. Atualmente, Diego Bock mantém contratos com empresas americanas e traça expansão para setores como alimentos, logística e energia renovável, alinhando com a tendência de robôs colaborativos (cobots), que possuem grande impacto na produtividade. “Sei que apostei no setor certo e empreender foi uma das melhores decisões de minha carreira”, finaliza Bock.

Sobre

Diego Lawrens Bock é engenheiro mecatrônico com especialização em robótica industrial e sistemas de visão computacional. Fundador da Bock Robotics, acumula mais de 15 anos de atuação em automação de alto desempenho, tendo liderado projetos em montadoras como Volkswagen, Ford, General Motors, PSA e Opel, com foco em programação de robôs, inspeção óptica automatizada e soldagem de precisão. Com vivência internacional em projetos na Alemanha, Argentina e Brasil, seu trabalho une inovação e engenharia aplicada para aumentar a eficiência, segurança e sustentabilidade em processos industriais e agrícolas.

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