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Apagão de talentos faz empresas reverem filtros tradicionais de contratação

Kauã Leandro - Créditos da foto: Divulgação

Kauã Leandro - Créditos da foto: Divulgação

Pressionadas pela dificuldade de preencher vagas e reter profissionais, organizações passaram a priorizar habilidades práticas e capacidade de adaptação em vez de credenciais acadêmicas formais

A dificuldade de encontrar e reter profissionais qualificados está levando empresas a revisarem um dos critérios mais tradicionais dos processos seletivos: a exigência de diploma universitário. Em áreas pressionadas pela escassez de talentos, como tecnologia, vendas, marketing e varejo, organizações passaram a priorizar competências práticas, capacidade de aprendizado e experiência aplicada em vez de credenciais acadêmicas formais.

O movimento impulsiona o avanço do chamado Skill-Based Hiring, modelo de recrutamento baseado em habilidades que vem ganhando espaço no Brasil diante das transformações aceleradas do mercado de trabalho. Mais do que uma mudança conceitual, especialistas afirmam que a tendência responde a uma necessidade prática das empresas de encontrar profissionais capazes de acompanhar a velocidade das mudanças do ambiente corporativo e permanecer por mais tempo nas organizações.

Dados do Fórum Econômico Mundial mostram que, até 2030, cerca de 19% dos empregadores pretendem eliminar a exigência de diploma em parte dos processos seletivos. Já 43% dos líderes de aquisição de talentos afirmam que as credenciais acadêmicas são hoje menos relevantes do que eram há dez anos.

O diploma deixou de ser garantia

A mudança também tem motivação financeira e operacional. Estudos de mercado apontam que modelos de contratação baseados em habilidades podem ser até cinco vezes mais eficientes para prever desempenho profissional do que processos focados apenas na formação acadêmica. Dados do LinkedIn Talent Trends indicam ainda que esse modelo aumenta em 25% a probabilidade de retenção dos profissionais.

Embora o Brasil ainda mantenha uma cultura corporativa fortemente ligada à valorização de títulos, algumas áreas passaram a acelerar essa mudança por necessidade. Setores com alta velocidade de transformação e maior dificuldade de contratação, como tecnologia da informação, marketing, vendas e funções administrativas, começaram a flexibilizar filtros tradicionais para ampliar o acesso a talentos e reduzir gargalos de contratação.

Para Kauã Leandro, gerente de Novos Negócios do Trabalha Brasil (TBR), o avanço da inteligência artificial e das mudanças tecnológicas tornou o mercado mais dinâmico e reduziu o tempo de validade de determinadas competências técnicas.

“O mercado muda muito rápido. Hoje, as empresas passaram a valorizar profissionais que conseguem aprender novas habilidades com agilidade e se adaptar às transformações do negócio. Em muitos casos, a capacidade de aprendizado pesa mais do que a formação tradicional”, afirma.

As empresas estão revendo quem consideram talento

Além da pressão por eficiência, o modelo também amplia o acesso de profissionais que desenvolveram competências fora da universidade tradicional, incluindo técnicos, autodidatas, profissionais em transição de carreira e trabalhadores que adquiriram experiência prática ao longo da trajetória profissional.

Segundo o especialista, essa mudança também representa uma revisão dos filtros históricos utilizados pelas empresas. Em vez de priorizar apenas diplomas e trajetórias lineares, organizações passaram a olhar com mais atenção para habilidades transferíveis, repertório prático e potencial de desenvolvimento.

“Muitas vezes, profissionais de atendimento, por exemplo, possuem habilidades de comunicação e negociação que permitem uma migração muito eficiente para áreas comerciais, mesmo sem experiência prévia direta em vendas”, explica Leandro.

A mudança também começa a impactar profissionais em início de carreira. Em vez de exigir anos de experiência para vagas de entrada, algumas empresas passaram a utilizar testes práticos e avaliações comportamentais para medir competências técnicas e soft skills, ampliando o acesso de jovens ao mercado formal.

A mudança ainda esbarra nos velhos vieses

Apesar do avanço, especialistas alertam que muitas organizações ainda enfrentam dificuldades para implementar o modelo de maneira estruturada. Segundo Leandro, um dos erros mais comuns é acreditar que basta retirar a exigência de diploma do anúncio da vaga para tornar o recrutamento mais inclusivo e eficiente.

“Se a empresa não define claramente quais competências precisa avaliar e não prepara os gestores para conduzir entrevistas mais objetivas, o processo continua subjetivo e sujeito aos mesmos vieses de antes”, afirma Kauã.

Nesse cenário, ferramentas de recrutamento baseadas em testes práticos, resolução de cases e análise de competências vêm ganhando espaço como apoio para tornar os processos seletivos mais objetivos. Ainda assim, especialistas destacam que a principal mudança não está na tecnologia, mas na forma como as empresas passaram a enxergar potencial profissional.

O recrutamento entra em uma nova fase

Mais do que uma tendência de RH, especialistas avaliam que a contratação baseada em habilidades reflete uma transformação mais ampla do mercado de trabalho. Em um cenário de mudanças rápidas e escassez de talentos, empresas começam a rever a própria definição de qualificação profissional e o diploma deixa de ser o único indicador de capacidade.

Trabalha Brasil

O Trabalha Brasil é composto por um time de mais de 100 profissionais de tecnologia e Recursos Humanos, que se dedicam para aprimorar a plataforma que atende cada vez mais as necessidades dos trabalhadores, que buscam dignidade financeira por meio do trabalho.

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