Impulsionadas pelo avanço do Pix Automático e pela busca por mais previsibilidade financeira, redes de alimentação passaram a usar aplicativos próprios para aumentar a retenção de clientes, reduzir a dependência de marketplaces e ampliar a recorrência de receita
O lançamento e a expansão do Pix Automático pelo Banco Central estão acelerando uma transformação silenciosa na economia digital. Se durante anos os aplicativos próprios foram vistos principalmente como canais de venda no food service e no varejo digital, empresas passaram a utilizá-los como ferramentas para construir receita recorrente, ampliar a retenção de clientes e reduzir a dependência de marketplaces.
Para Rafael Franco, CEO da Alphacode, empresa especializada em aplicativos próprios, transformação digital, soluções para food service, fintechs e mercado financeiro, a mudança reflete uma evolução natural da digitalização dos negócios. Segundo ele, o valor dos aplicativos deixou de estar concentrado apenas na transação realizada e passou a ser medido pela capacidade de manter clientes ativos ao longo do tempo.
“O mercado passou anos avaliando aplicativos próprios pela quantidade de pedidos gerados. Hoje, os indicadores mais relevantes são recorrência, frequência de compra, retenção de clientes e previsibilidade de receita. São esses fatores que determinam o valor econômico de uma base digital”, afirma o executivo.
A mudança acontece em um momento de expansão dos canais digitais no setor de alimentação. Levantamento da Linx, reproduzido pela Abrasel, mostrou que delivery próprio e marketplaces já representam 15% do faturamento do food service brasileiro, com crescimento de 27% em relação ao ano anterior. O dado reforça a importância dos canais digitais dentro da estratégia comercial das redes, especialmente entre empresas que investem em delivery próprio e canais próprios de relacionamento com clientes.
Nesse contexto, muitas empresas passaram a enxergar seus aplicativos próprios como ativos estratégicos capazes de gerar valor além da venda imediata. Ao centralizar pedidos, pagamentos via Pix, programas de fidelidade, comunicação e histórico de consumo, as plataformas passaram a reunir informações que ajudam a melhorar campanhas, aumentar a frequência de compra e reduzir custos de aquisição de clientes.
“Aplicativos próprios permitem que empresas de food service aumentem retenção de clientes, ampliem recorrência de receita e reduzam a dependência de marketplaces. Quando a operação controla o canal digital, ela passa a capturar dados de comportamento, frequência de compra e valor gerado ao longo da relação com o consumidor”, explica Rafael Franco.
O avanço do Pix e do Pix Automático reforça esse movimento de transformação digital e fortalece a construção de canais próprios de relacionamento. A funcionalidade criada pelo Banco Central permite automatizar pagamentos recorrentes e tende a ampliar a integração entre aplicativos, meios de pagamento e programas de fidelização.
“A discussão deixou de ser quantos pedidos um aplicativo gera. A pergunta passou a ser quanto da receita futura daquela base de consumidores a empresa consegue preservar e ampliar. Operações que controlam seus canais digitais conseguem tomar decisões mais precisas, aumentar rentabilidade e reduzir a dependência de intermediários”, afirma.
Segundo o CEO da Alphacode, a tendência deve ganhar força nos próximos anos à medida que aplicativos próprios deixem de ser tratados apenas como ferramentas operacionais e passem a ocupar posição estratégica na geração de receita.
“A combinação entre aplicativos próprios, Pix, inteligência de dados e relacionamento direto com o consumidor está mudando a forma como empresas constroem crescimento sustentável. Quem possui acesso direto ao cliente consegue aumentar eficiência comercial, fortalecer fidelização e gerar mais previsibilidade financeira”, diz.
A avaliação acompanha uma tendência observada em diferentes segmentos da economia. Com custos de aquisição de clientes mais elevados e consumidores cada vez mais disputados, empresas passaram a concentrar esforços em retenção, fidelização e aumento do valor gerado por cada cliente ao longo do tempo. A tendência já é observada em redes de alimentação, restaurantes, franquias, varejistas e empresas que utilizam aplicativos próprios como parte da estratégia de crescimento, transformação digital e rentabilidade.

