Com custos em alta e margens pressionadas, Multiplike estrutura crédito para reduzir aperto financeiro nas fases mais sensíveis dos empreendimentos
O maior gargalo da construção civil em 2026 não está apenas no canteiro de obras, mas no calendário do caixa. Construtoras e incorporadoras seguem contratando, tocando projetos e respondendo a uma demanda ainda relevante, porém enfrentam uma combinação que estreita a margem de manobra financeira. O setor criou 120 mil vagas formais entre janeiro e março, alta de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, e ultrapassou 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada. O avanço revela atividade, mas também amplia a pressão sobre capital de giro em um momento de juros elevados, materiais mais caros e crédito mais seletivo. A sondagem da CNI em parceria com a CBIC mostra que o indicador de preços de insumos chegou a 68,4 pontos no 1º trimestre, enquanto o acesso ao crédito caiu para 37,7 pontos e a satisfação com o lucro operacional ficou em 41,3 pontos. Na prática, o setor está produzindo mais, porém com menos folga para financiar o próprio ciclo.
A pressão se torna mais evidente porque o fluxo financeiro de uma obra raramente segue uma linha regular. Há fases de desembolso intenso, momentos de menor entrada de receita e períodos em que diferentes empreendimentos disputam o mesmo caixa dentro da empresa. Quando o financiamento tradicional não acompanha essa dinâmica, a construtora pode vender bem e ainda assim enfrentar tensão financeira durante a execução. O efeito aparece em renegociação com fornecedores, atraso em etapas, perda de previsibilidade e redução da capacidade de lançar novos projetos. “A construção civil tem um ritmo próprio, e o crédito precisa acompanhar esse ritmo. Quando o financiamento não conversa com o ciclo da obra, ele deixa de ser solução e passa a gerar pressão adicional no caixa”, afirma Volnei Eyng, CEO e fundador da Multiplike.
É nesse contexto que a Multiplike está lançando sua nova política de crédito para loteadoras, construtoras e incorporadoras. Com isso, prevê aumentar em 30% o volume de operações de crédito distribuídas ao ramo. A estratégia busca distribuir o financiamento conforme as fases do empreendimento, em vez de concentrar a liberação de recursos em momentos que nem sempre coincidem com a maior necessidade operacional. A proposta considera capital para execução da obra, reforço de caixa ao longo do projeto e antecipação de valores associados a vendas já realizadas, com estruturas desenhadas para dar mais aderência entre entrada e saída de recursos. Em um setor no qual uma mesma empresa pode administrar várias SPEs ao mesmo tempo, essa coordenação financeira se torna decisiva para manter cronogramas, preservar margem e evitar que a falta de liquidez em um projeto contamine o planejamento dos demais.
Um dos exemplos mais claros ocorre na reta final do empreendimento. Depois da conclusão da obra e da regularização para entrega, ainda pode haver um intervalo até que o repasse bancário seja efetivado. Nesse período, a empresa já cumpriu grande parte do investimento, mas continua lidando com despesas finais, fornecedores, manutenção da estrutura e novos projetos em andamento. Sem uma solução ajustada a essa janela, justamente a etapa de entrega pode virar um dos momentos de maior aperto no caixa. Segundo o CEO da Multiplike, a mudança está em tratar crédito como ferramenta de planejamento, não apenas como resposta emergencial. “A proposta para o setor parte desse entendimento, de alinhar o crédito à realidade operacional das empresas. A construtora precisa de capital no tempo da obra, não apenas no tempo do banco. Quando esse fluxo é organizado, o crédito deixa de ser uma resposta emergencial e passa a ser uma ferramenta de planejamento”, conclui Eyng.

