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Aumento de IOF e taxação dos Estados Unidos devem impactar M&A no Brasil

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Insegurança fiscal e incertezas na política externa ameaçam frear o ritmo de fusões e aquisições de empresas e tornam os ativos brasileiros menos atrativos no mercado global

Em meio à competição global por capital, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos, ameaçam esfriar atividades de fusões e aquisições (M&A) no Brasil, sobretudo as que envolvem empresas estrangeiras. A avaliação é do economista Adam Patterson, sócio da Redirection International, empresa especializada em assessoria de fusões e aquisições cross-border (realizadas entre empresas de diferentes países). Segundo o economista, a insegurança tributária e o cenário econômico incerto aumentam a desconfiança dos investidores, impactando o ambiente de negócios em um momento em que o país já enfrenta pressões macroeconômicas e fiscais no âmbito doméstico.

“As atividades de M&A vêm apresentando uma desaceleração nos últimos anos, devido principalmente às incertezas fiscais, à fragilidade da política monetária e à percepção do risco Brasil, que subiu em julho. Além disso, o cenário global também traz novos desafios como a taxação anunciada pelos Estados Unidos, o que tornará o acesso ao maior mercado consumidor do mundo mais difícil para empresas brasileiras”, destaca Adam Patterson. Ele explica que o aumento do IOF ocorre diante de um contexto no qual as atividades de M&A davam sinais de recuperação, com aumento de 1% nas operações no primeiro semestre, segundo dados da Transactional Track Record (TTR). “Havia uma grande expectativa de que o segundo semestre seria promissor para as atividades de M&A, mas o aumento do IOF certamente trará mais cautela”, complementa.

Ele lembra que as mudanças na carga tributária elevam os custos operacionais e podem comprometer a atratividade do Brasil principalmente para fundos de Private Equity e Venture Capital, que operam com estruturas complexas de financiamento e captação internacional, bem como operações alavancadas com financiamento local, uma vez que o aumento do IOF encarece o crédito em um contexto de taxas de juros já bastante elevadas. Adam Patterson alerta que um estudo da Redirection International aponta que há uma correlação negativa significativa entre o aumento do custo financeiro e as atividades de M&A no Brasil, o que favorece a migração do capital para outros mercados emergentes mais atraentes, por conta da maior previsibilidade e segurança jurídica.

De acordo com o economista, a alta do IOF somada ao tarifaço dos Estados Unidos representa uma “carga dupla”, que aumenta o custo de capital e reduz a previsibilidade do ambiente de negócios. O efeito combinado gera volatilidade no câmbio e incerteza regulatória, o que afeta diretamente a análise de risco de investidores internacionais.

“A retirada de R$ 24 bilhões da bolsa brasileira somente no primeiro semestre deste ano já demonstra o impacto imediato no apetite de capital estrangeiro. Para o M&A cross-border, o cenário de instabilidade e protecionismo dificulta a precificação, a avaliação de risco e o planejamento estratégico de transações. O principal risco neste momento é a imprevisibilidade, isso porque apesar de não ter um impacto direto do IOF nos investimentos estrangeiros, o ‘barulho’ macroeconômico gerado tanto pelo aumento do imposto quanto pelas tarifas reduz a confiança dos investidores no curto prazo”, ressalta Patterson.

Embora esses fatores possam segurar a vinda de capital estrangeiro, o Brasil continua no mapa de M&A devido ao seu grande mercado interno, o que ainda sustenta o interesse de investidores de longo prazo, aponta o economista. Para ele, a política externa brasileira será a chave para manter a competitividade do país.

Sobre a Redirection International

A Redirection é especializada em assessoria de Fusões & Aquisições para empresas locais e internacionais, em transações de middle market. Possui uma grande experiência em transações cross-border, com equipe atuante diretamente no Brasil, América Latina, Estados Unidos e Reino Unido. É membro da ACG e, também, desenvolve uma rede de parceiros selecionados em todos os principais setores de negócios e regiões do mundo.  https://www.redirection.com.br/

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