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Tecnologia

Automação e IA já estão transformando o setor de utilities e sua empresa precisa acompanhar

3 Mins read

*Por André Sih

A transição da leitura manual de consumo para sistemas automatizados baseados em Inteligência Artificial (IA) promoverá uma mudança estrutural e significativa no setor de utilities. Nos últimos dias, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) autorizou a abertura da Consulta Pública nº 001/2026 para avaliar os sistemas de medição de energia elétrica e, futuramente, viabilizar a implantação gradual dos chamados smart meters (medidor de energia inteligente que substitui os relógios tradicionais) no Brasil, que possibilitará um banco de dados muito maior. Porém, enquanto o projeto não é regulado, vemos soluções baseadas em IA, visão computacional e análise avançada de dados ganhando protagonismo.

Historicamente, o segmento de energia, água e gás era dependente de processos operacionais suscetíveis a falhas humanas, retrabalho e inconsistências de dados. Mais especificamente quando falamos sobre leitura manual de medidores, ainda comum em diversas regiões do país, sabemos que ela está sujeita a erros de anotação, dificuldades de acesso, falhas na identificação dos números e até divergências que impactam diretamente a fatura do consumidor final. Esses problemas geram não apenas insatisfação do cliente, mas também sobrecarregam as concessionárias com processos de revisão, atendimento e refaturamento.

Segundo um relatório ANEEL, o valor de perdas não técnicas no sistema de distribuição de energia no Brasil (como furtos, fraudes, erros de leitura, medição e faturamento) atingiram cerca de R$ 10,3 bilhões em 2024, configurando uma das principais fontes de prejuízo econômico do setor. Essas perdas podem estar diretamente associadas a falhas em processos convencionais de leitura e controle de consumo, evidenciando a urgência da modernização desses sistemas.

Com a automação da leitura por meio de IA, esse cenário muda significativamente. Sistemas inteligentes conseguem interpretar imagens de medidores de energia, água ou gás, identificar padrões, reconhecer caracteres e validar informações com alto grau de precisão. Além disso, quando integrados a plataformas de gestão, esses dados passam a ser processados de forma contínua e estruturada, reduzindo inconsistências e aumentando a confiabilidade das informações.

Por isso, para as empresas de utilities, a medição inteligente representa uma oportunidade concreta de redução de custos operacionais, otimização das equipes em campo e maior previsibilidade sobre o comportamento do consumo. A automatização contribui para minimizar perdas não técnicas, aumentar a acurácia do faturamento e melhorar os indicadores de desempenho regulatório.

Outro ponto relevante do uso de IA e visão computacional nesse setor é a capacidade de cruzar dados históricos e atuais para identificar anomalias, inconsistências e possíveis fraudes. A análise inteligente de informações provenientes de diferentes fontes fortalece a gestão de ativos e permite decisões mais estratégicas sobre manutenção, investimentos e expansão de rede.

Se por um lado as concessionárias ganham eficiência, por outro o consumidor final é um dos principais beneficiados pela medição inteligente. A precisão na coleta e no processamento dos dados garante que o faturamento reflita, de forma mais justa, o consumo real, reduzindo disputas, cobranças indevidas e questionamentos sobre a confiabilidade das contas.

Além disso, a digitalização da medição abre espaço para modelos mais transparentes de comunicação, nos quais o consumidor pode acompanhar seu histórico de consumo, identificar padrões, ajustar hábitos e compreender melhor a composição da fatura. Em setores como água e gás, essa visibilidade é essencial tanto para o controle financeiro quanto para o incentivo ao uso consciente dos recursos.

Mais do que substituir processos manuais, a medição inteligente redefine a forma como concessionárias e consumidores se relacionam com a informação, promovendo eficiência operacional, redução de perdas e justiça tarifária. À medida que tecnologias baseadas em IA, visão computacional e análise de dados avançam, o setor caminha para um modelo cada vez mais conectado, transparente e orientado por dados.

*André Sih é Founder & Managing Partner da Fu2re.

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