Companhia Marie Padille alia formação artística, sustentabilidade e impacto social em Alexânia (GO), com intercâmbio internacional e foco em transformação cultural
A linguagem ESG, cada vez mais presente no universo corporativo, tem encontrado espaço também no setor cultural. Um exemplo vem de Alexânia (GO), onde a Cia de Ballet Contemporâneo Marie Padille se consolidou como um núcleo artístico-profissional que alia a criação de repertórios contemporâneos à formação de jovens bailarinos e à difusão gratuita da dança. Fundada há dois anos a partir da Escola de Artes Marie Padille, instalada no Teatro Marie Padille, a companhia já se destaca por integrar práticas ambientais, sociais e de governança à sua atuação.
No pilar ambiental, a Associação Empresa Azul — mantenedora da escola e da companhia — adota iniciativas como a gestão de resíduos dos espetáculos, figurinos sustentáveis e até hortas ligadas à Voilà House, espaço cultural que conecta arte, gastronomia e arquitetura ecológica.
No campo social, a Cia atua como ferramenta de transformação. Jovens de comunidades periféricas do entorno são incluídos em processos de formação técnica, muitos por meio de bolsas artísticas. “A arte aqui não é apenas espetáculo: é caminho de pertencimento, saúde mental e cidadania”, resume a direção da companhia.
Já na governança, a instituição aposta em editais públicos, conselhos de curadoria, atas da Escola de Sabedoria abertas ao público e políticas de compliance para as relações contratuais, reforçando transparência e credibilidade em cada etapa.
Essas práticas se materializam em projetos como o “Dança Viva no Mundo”, iniciado em 2025. O programa conecta bailarinos de Alexânia a professores internacionais em encontros virtuais mensais. Entre eles, a norte-americana Anjali Figueira, especialista em Ballet Contemporâneo e Dança Afro Pop, diretamente de Portland (EUA), e a pesquisadora e artista internacional Dra. Alexandra Klein, conhecida por sua atuação no premiado espetáculo 1717, apresentado no Vaticano.
A proposta é construir um intercâmbio vivo entre linguagens urbanas, afro-diaspóricas e contemporâneas, fortalecendo a identidade criativa dos bailarinos brasileiros e colocando o interior goiano no mapa de redes globais de formação.
Com base nos princípios de acolhimento, inovação e pertencimento, a Cia de Ballet Contemporâneo Marie Padille reafirma em cada gesto no palco a missão de tornar a arte acessível, regenerativa e comprometida com o desenvolvimento humano.
“Na Voilà House, cada evento é um elo entre cultura, consciência e regeneração. Utilizamos ingredientes locais, reciclamos cenários e promovemos o protagonismo juvenil como forma de reconstruir territórios vivos ao redor do Lago Corumbá 4”, explica a equipe da instituição, resumindo a filosofia que atravessa todas as suas frentes.
Assim, mais do que uma companhia de dança, a Marie Padille se projeta como um laboratório de comunicação ESG aplicada à cultura — e como exemplo de que projetos artísticos, mesmo no interior, podem construir pontes globais entre arte, sustentabilidade e transformação social.

