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Banco Master reacende debate sobre concentração de investimentos e expõe caminhos para proteger patrimônio

Fernanda Spanner - Créditos da foto: Divulgação

Fernanda Spanner - Créditos da foto: Divulgação

Crises envolvendo instituições financeiras reforçam a necessidade de diversificação de investimentos e planejamento patrimonial internacional entre empresas e investidores brasileiros

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, reacendeu o debate sobre concentração de investimentos e riscos no sistema financeiro brasileiro. O caso voltou a expor um ponto sensível para empresas e investidores: a vulnerabilidade de patrimônios excessivamente concentrados em poucas instituições, produtos ou mercados.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) indicam que o patrimônio financeiro dos brasileiros ultrapassou R$ 8,5 trilhões em 2025, com forte presença da renda fixa nas carteiras, classe que respondeu por 59% do total investido.

Fernanda Spanner, consultora de negócios internacionais e CEO da Spanner Consulting Group, afirma que crises envolvendo instituições financeiras expõem fragilidades na organização patrimonial de empresas e investidores. “Diversificação não é apenas estratégia de investimento, mas uma forma de proteção. Quando o capital está concentrado em poucos ativos ou em uma única instituição, o impacto de uma crise tende a ser maior”, afirma.

A executiva afirma que o crescimento do patrimônio financeiro no país aumentou a complexidade das decisões de investimento. Dados do Banco Central indicam que brasileiros já possuem mais de US$ 654,5 bilhões em ativos no exterior em 2024, refletindo a busca por diversificação e proteção cambial. “Muitos empresários passaram a olhar para estruturas globais justamente para reduzir exposição a riscos concentrados em um único país”, diz.

Segundo ela, a ausência de planejamento patrimonial estruturado ainda é um problema recorrente entre empresas brasileiras, especialmente negócios familiares. O empresário costuma focar na expansão do negócio e deixa a organização do patrimônio em segundo plano. “Só quando surge uma crise financeira ou institucional é que percebe que grande parte dos recursos está exposta ao mesmo risco”, afirma.

A consultora também destaca que a diversificação patrimonial precisa ser conduzida dentro das regras fiscais e regulatórias de cada país. “Planejamento internacional não significa simplesmente enviar recursos para fora do Brasil. É necessário compreender legislação tributária, acordos internacionais e estruturas jurídicas adequadas. Quando isso é feito corretamente, o resultado é mais segurança e previsibilidade patrimonial”, explica.

Ela acrescenta que crises no sistema financeiro costumam acelerar decisões que deveriam fazer parte do planejamento estratégico das empresas. “Eventos desse tipo funcionam como um alerta. Quem organiza o patrimônio antes das turbulências tende a atravessar períodos de instabilidade com muito mais segurança.”

A especialista aponta cinco cuidados para proteger patrimônio em momentos de instabilidade financeira

Especialistas em planejamento patrimonial afirmam que períodos de incerteza podem ser um ponto de partida para reorganizar estruturas financeiras e reduzir riscos de concentração.

Para a especialista, episódios envolvendo instituições financeiras tendem a reforçar a necessidade de gestão patrimonial mais estruturada entre empresários brasileiros. “O patrimônio precisa ser tratado com o mesmo nível de estratégia que o negócio principal. Diversificação, planejamento internacional e governança financeira são mecanismos de proteção que evitam que uma crise comprometa anos de construção patrimonial”, conclui.

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