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Bioma registra primeiro biofungicida brasileiro 100% à base de metabólitos

Foto-Artur Soares

Foto-Artur Soares

Tecnologia abre nova frente em setor dominado por soluções estrangeiras. No Brasil, mercado de defensivos químicos registrou US$ 4,28 bilhões em importações de janeiro a maio de 2026

A Bioma, uma das maiores referências em insumos microbiológicos para o agronegócio brasileiro, anuncia ao mercado o registro comercial do primeiro fungicida 100% à base de metabólitos desenvolvido no país.

O registro inaugura uma nova fronteira de inovação para a indústria brasileira de bioinsumos. Embora o país tenha avançado no desenvolvimento de produtos microbiológicos formulados com fungos e bactérias vivos, a categoria de fungicidas baseada estritamente em metabólitos isolados é dominada por soluções estrangeiras. A tecnologia nacional foi registrada para o manejo da antracnose, causada por Colletotrichum truncatum, e da mancha-alvo, provocada por Corynespora cassiicola, duas das principais doenças da soja.

O novo produto é resultado de cinco anos de pesquisas conduzidas dentro da Cogny, o maior ecossistema de bioinsumos do mundo. A concepção científica e tecnológica foi liderada pela Orygen, empresa de Pesquisa & Desenvolvimento do grupo, sob coordenação do diretor de Pesquisa Artur Soares. Já a Bioma conduziu a estratégia de desenvolvimento, registro e disponibilização da solução ao mercado.

Mercado bilionário

Os fungicidas movimentaram cerca de US$ 6,5 bilhões no Brasil em 2025, representando 32% dos US$ 20,2 bilhões registrados pelo mercado de defensivos agrícolas. A categoria respondeu ainda por 466 mil toneladas, ou 26% do volume total de 1,79 milhão de toneladas de produtos aplicados nas lavouras brasileiras, segundo levantamento da Kynetec Brasil divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal.

Entre os biológicos, os biofungicidas foram a categoria com maior expansão em valor em 2025. O faturamento avançou 41% e atingiu R$ 1,4 bilhão, enquanto a área tratada alcançou 26 milhões de hectares, crescimento de 37% sobre o ano anterior, segundo o CropData, plataforma da CropLife Brasil. A base pública da entidade ainda não separa os fungicidas formulados exclusivamente com metabólitos, segmento que começa agora a ganhar escala comercial no país.

“O registro do Metabolic Protection representa muito mais do que a aprovação de um novo produto. Ele demonstra a capacidade da ciência brasileira de desenvolver tecnologias inéditas e transformá-las em soluções de alto impacto para o produtor rural. É um marco para a Bioma, para a Orygen e para todo o ecossistema de inovação da Cogny”, afirma Soares.

A inovação chega ao campo em um ambiente internacional pressionado por conflitos geopolíticos, oscilações cambiais e incertezas nas cadeias de abastecimento. Entre janeiro e maio de 2026, as importações brasileiras de defensivos químicos somaram US$ 4,28 bilhões, segundo o CropData. O volume reforça a exposição da agricultura nacional ao mercado externo e a importância estratégica de tecnologias desenvolvidas e produzidas no país.

Um blend de 40 metabólitos

A tecnologia da Bioma utiliza uma metodologia proprietária capaz de estimular a expressão de genes específicos dos microrganismos responsáveis pela produção dos compostos de interesse agronômico. O processo resulta em um blend formado por cerca de 40 metabólitos. Mais de 20 apresentam ação direta contra os fungos, enquanto outros 17 induzem os mecanismos naturais de defesa da planta. “A combinação de diferentes moléculas e mecanismos de ação responde a um dos principais desafios do manejo fitossanitário da soja, que é a perda gradual de eficácia de parte dos fungicidas químicos em razão da resistência desenvolvida pelos patógenos após aplicações sucessivas de produtos com mecanismos semelhantes”, diz Soares.

Segundo o pesquisador, antracnose e mancha-alvo estão entre as doenças foliares mais relevantes da cultura e podem provocar perdas de produtividade de até 40% em cultivares suscetíveis e sob condições favoráveis à disseminação dos fungos. A incorporação de moléculas de origem biológica aos programas convencionais amplia a diversidade de mecanismos utilizados contra os patógenos e contribui para reduzir a pressão de seleção sobre eles.

Cinco anos de pesquisa

Durante os cinco anos de pesquisa o biofungicida foi avaliado em mais de 50 regiões produtoras do Brasil, sob diferentes condições climáticas, sistemas de manejo e níveis de pressão das doenças. Os testes analisaram tanto a eficiência no controle dos patógenos quanto a integração da tecnologia aos programas já utilizados pelos agricultores.

O desenvolvimento dá continuidade a uma trajetória de inovações liderada pela Bioma. Entre elas está o Bioma Phos, um solubilizador biológico de fósforo hoje em processo de expansão para o mercado europeu; e o Hydratus, desenvolvido a partir de uma bactéria da Caatinga para ampliar a tolerância das plantas ao estresse hídrico. Essas tecnologias nasceram da integração entre a pesquisa científica da Embrapa e a capacidade das empresas do ecossistema de validar, escalar, registrar e levar novas soluções ao mercado. O novo fungicida amplia essa estratégia ao avançar dos produtos formulados com microrganismos vivos para o domínio das moléculas produzidas por eles.

“Ter acesso a uma tecnologia desenvolvida e produzida no Brasil oferece maior segurança de abastecimento, mais previsibilidade para o planejamento da safra e liberdade para a construção de estratégias de manejo de longo prazo. Ao reduzir vulnerabilidades externas e ampliar a eficiência no campo, também ajudamos a tornar o produto agrícola brasileiro ainda mais competitivo no país e no mercado internacional”, destaca Soares.

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