Com previsão de 69,4 milhões de produtos vendidos, alta de 15,4%, transportadoras precisam organizar frotas e rotas sem conhecer antecipadamente o volume de cargas
A Black Friday de 2026 deve movimentar R$ 13,3 bilhões no comércio eletrônico brasileiro entre os dias 26 e 29 de novembro, crescimento de 20,7% em relação ao ano passado. A projeção da Confi/Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil, também aponta a venda de 69,4 milhões de produtos, alta de 15,4%. O avanço esperado nas vendas traz um desafio para a logística: como absorver um aumento expressivo de mercadorias quando a programação do transporte é definida poucos dias antes?
Diferentemente do varejo, que pode planejar campanhas e estoques com meses de antecedência, as transportadoras dependem da confirmação das cargas para organizar parte de suas operações. O intervalo entre o recebimento dos pedidos de transporte e a movimentação das mercadorias pode ser curto, exigindo ajustes na disponibilidade de caminhões, motoristas e rotas.
O desafio ganha dimensão em um mercado no qual as promoções já não se concentram em uma única sexta-feira. Datas como o 11.11, que deve movimentar R$ 3,17 bilhões no comércio eletrônico neste ano, segundo projeção da Neotrust, ampliam o período de maior demanda e exigem atenção ao planejamento logístico durante praticamente todo o mês de novembro.
Para as transportadoras que operam em longas distâncias, um dos principais pontos de atenção é o posicionamento dos veículos. Um caminhão que chega ao destino sem uma nova carga programada pode comprometer a eficiência da operação, especialmente em períodos de maior concentração de pedidos.
A gaúcha Buzin Transportes iniciou sua atuação no e-commerce em dezembro de 2025, logo após a Black Friday e conta que o pedido do frete costuma chegar com apenas uma semana de antecedência. A empresa, que possui 220 caminhões-baú, diz que as principais rotas para esse ano compreendem as regiões Sul, Sudeste e Nordeste.
“O maior desafio não é simplesmente ter mais caminhões, mas conseguir organizar a operação com as informações disponíveis. Recebemos a programação uma semana antes, então não sabemos exatamente quanto o volume vai aumentar. Vamos trabalhar com a frota existente e ajustar as viagens conforme a demanda se confirma”, explica Leonardo Busin, CEO da Buzin Transportes.
Mais vendas não significam apenas mais caminhões
O crescimento do comércio eletrônico aumenta a importância do planejamento das rotas e do aproveitamento da capacidade de transporte. Em trajetos que conectam diferentes regiões do país, a necessidade de reposicionar veículos, conciliar horários de carregamento e descarga e garantir disponibilidade de motoristas pode tornar a operação mais complexa.
Outro fator é a distribuição das vendas ao longo do período promocional. Mesmo com estimativas de crescimento para o mercado, o volume efetivamente destinado a cada transportadora depende da demanda de seus clientes, o que dificulta antecipar quantos veículos serão necessários em cada rota.
A pressão não termina com o encerramento das promoções. Parte das mercadorias adquiridas durante a Black Friday continua circulando nos dias seguintes, prolongando os efeitos da data sobre a cadeia logística.
“Existe uma expectativa de crescimento nas vendas, mas isso não significa que a transportadora saiba antecipadamente quantas cargas vai receber e nem quais rotas. O importante é ter capacidade de resposta e evitar que a falta de planejamento transforme um aumento de demanda em atrasos e custos adicionais”, conclui Busin.

