Ícone do site Economia S/A

Brasil atrai US$ 89 bilhões em investimentos diretos, mas esbarra na barreira do inglês

Créditos da imagem: Divulgação

Créditos da imagem: Divulgação

Com apenas 1% da população brasileira fluente no idioma, entrada de capital estrangeiro no país nos últimos 12 meses amplia oportunidades de negócios, mas evidencia a baixa oferta de profissionais preparados para atuar com investidores e clientes internacionais, de prestadores de serviços a corretores e agentes financeiros.

A economia brasileira registrou um aumento na atração de capital estrangeiro, mas a chegada desses recursos esbarra na incapacidade de comunicação internacional. Dados recentes divulgados pelo Banco Central revelam que os Investimentos Diretos no País (IDP) acumularam ingressos líquidos de US$ 9,1 bilhões apenas em junho, quase o triplo dos US$ 3,1 bilhões apurados no mesmo mês do ano anterior. Nos últimos 12 meses, o volume na economia atingiu US$ 89,3 bilhões, o equivalente a 3,58% do PIB nacional.

Esse fluxo é aplicado em projetos de infraestrutura, fusões, aquisições e oxigenação do setor imobiliário. Contudo, muitos dos profissionais brasileiros que atuam na linha de frente dessas negociações ainda não dominam o idioma global. De acordo com os dados mais recentes do Índice de Proficiência em Inglês, English Proficiency Index (EF EPI), o Brasil ocupa a 75ª posição global, com a classificação de “baixa proficiência” e fica atrás de vizinhos latino-americanos como Chile, Uruguai e Peru.

Levantamentos de instituições internacionais reforçam que embora 5% dos brasileiros tenham alguma noção da língua, apenas 1% detém fluência real para conduzir negócios e estabelecer networking. O resultado direto é a perda de competitividade e atraso no fechamento de contratos comerciais e a captação de clientes internacionais de alta renda, conforme reforçam os especialistas da KNN Idiomas.

A rede de ensino, uma das maiores do país, tenta acelerar a formação de profissionais para preencher essa lacuna, com cursos adaptados a demandas de estudantes ou profissionais. A metodologia própria foi desenhada especificamente para falantes da língua portuguesa e rompe com formatos que desmotivam o aluno ao aprender inglês.

Com investimentos anunciados na casa dos R$ 127 milhões, desde 2025, para a concessão de bolsas de estudo e incentivo ao aprendizado, o objetivo mercadológico do fundador da KNN é ajudar a dobrar o percentual de brasileiros fluentes em médio prazo.

Para Reginaldo Kaeneêne, CEO e fundador da KNN Idiomas, a ausência de domínio do inglês custa caro ao país em um momento de liquidez internacional. O executivo destaca que a fluência é uma questão de acesso a mercados de alto rendimento.

“O Brasil está recebendo mais capital externo, mas estamos deixando dinheiro na mesa porque nossa linha de frente não domina o idioma global. A proficiência em inglês é fundamental e define quem fecha negócios e quem fica de fora, além de impactar em oportunidades em absolutamente todos os setores – desde os serviços básicos e de hospitalidade, passando por corretores de imóveis que precisam recepcionar e negociar com investidores estrangeiros, até chegar aos grandes estruturadores de ativos e fundos nas finanças”, analisa Reginaldo.

“Em polos de atração de capital até destinos em crescimento ou turísticos, de norte a sul do país, o idioma é, frequentemente, o fator de exclusão ou aprovação de parcerias e contratações. O IDP mostra que o capital chega ao Brasil, mas o lucro de quem faz a intermediação tem ficado cada vez mais restrito a 1% da população”, reforça.

Sair da versão mobile