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Brasil: como a reindustrialização de carteiras escolares surge como alternativa para o reaproveitamento de mobiliário

Créditos da imagem: Divulgação

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O Brasil possui 178,8 mil escolas e 46 milhões de matriculados na educação básica, segundo o Censo Escolar do INEP de 2025. Para a Reescola, startup especializada na reindustrialização de móveis escolares, a dimensão do sistema educacional brasileiro exige uma estrutura física igualmente robusta, com milhões de mesas e cadeiras distribuídas em salas de aula de todo o país.

A startup, que recupera mesas e cadeiras descartadas e as devolve ao uso em condições padronizadas, estima que o país possui um estoque de 45 a 50 milhões de conjuntos mesa-cadeira em uso nas salas de aula,  (com base no número de matriculados na escola). A empresa também estipula que a vida útil das carteiras escolares variam entre 10 e 15 anos.   “O mobiliário escolar acompanha a dinâmica das redes de ensino e faz parte da infraestrutura necessária para o funcionamento das escolas. Ao longo dos anos, esses equipamentos envolvem decisões sobre planejamento, aquisição e gestão dos recursos disponíveis”, afirma Laura Camargos, CEO da Reescola.

A compra de mobiliário escolar faz parte dos processos de aquisição realizados para atender às redes de ensino. “O Brasil tem uma das maiores redes de ensino do mundo, com milhões de alunos e escolas. Isso exige uma estrutura física gigantesca, que precisa ser mantida e renovada constantemente. A verdade é que muitas carteiras acabam sendo descartadas sem nenhum tipo de reaproveitamento ou reindustrialização”, explica.

A CGU identificou indícios de sobrepreço de R$ 1,59 bilhão em uma licitação do FNDE para compra de mesas e cadeiras escolares, em 2022. A auditoria apontou problemas no dimensionamento da quantidade e inconsistências em itens do edital, o que levou à suspensão do processo e à revisão da contratação. Nesse contexto, a Reescola atua na recuperação de mesas e cadeiras descartadas, devolvendo esses equipamentos ao uso em condições padronizadas. A empresa estima gerar economia entre 40% e 60%. Em um ano de operação, a startup já reindustrializou 3.500 conjuntos e pretende ampliar sua atuação em todo o Brasil.

“A reindustrialização de mesas e cadeiras escolares aparece como uma alternativa para reduzir custos e ampliar o reaproveitamento de materiais, ao mesmo tempo em que contribui para a sustentabilidade. Experiências já adotadas por governos e empresas indicam que reformar e reinserir esse mobiliário em uso pode sair mais barato do que comprar itens novos, embora o impacto sobre os gastos públicos dependa da escala, da logística e da adesão das redes de ensino. O que antes era visto apenas como descarte pode se transformar em recurso, ampliando o debate sobre alternativas para o uso mais eficiente de materiais e recursos no ambiente educacional “, conclui Camargos.  

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